SALVADOR


Presídio na capital passa por varredura uma semana após ex-deputado ser preso por facilitar fuga

Operação mira a retirada de celulares e outros meios de contato irregular dentro do Complexo da Mata Escura

Foto: Assessoria/Seap

 

A Seap (Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia) faz nesta sexta-feira (24) uma ação contra a comunicação ilícita na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. O foco é a identificação e retirada de celulares e outros meios de contato irregular dentro da unidade.

Batizada de Operação Mute, o pente-fino é realizado em conjunto com a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) e inclui revistas nas celas com apoio de protocolos de inteligência. Segundo a Seap, outras unidades prisionais da capital também devem ser alvo do mesmo procedimento ao longo do dia.

A iniciativa ocorre uma semana após o ex-deputado federal Uldurico Jr. (MDB) ser preso sob suspeita de negociar o recebimento de propina de R$ 2 milhões com o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, para facilitar a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, em 12 de dezembro de 2024. A defesa de Uldurico nega o envolvimento dele com qualquer irregularidade e diz que sua inocência será provada.

Dadá é apontado como líder do PCE (Primeiro Comando de Eunápolis ), facção com atuação regional e vinculada ao Comando Vermelho.

Atualmente, ele está foragido no Rio de Janeiro, de onde continua a comandar ações criminosas no município do extremo sul.

Investigações do Ministério Público da Bahia apontam que a megafuga foi articulada por Uldurico e a então diretora Joneuma Silva Neres, indicada por Uldurico. Ela assumiu o cargo em 14 de março de 2024 e foi afastada no fim do mesmo ano. Joneuma, que hoje cumpre prisão domiciliar, deu detalhes da atuação de ambos por meio de um acordo de delação premiada.

Segundo um dos relatos da ex-diretora, sob o aval de Uldurico, ela autorizou regalias que incluíam desde visitas íntimas, acesso irrestrito a eletrodomésticos como freezers e geladeiras a até mesmo o velório da avó de um detento dentro do presídio.