POLÍTICA


Udulrico deu aval para visitas íntimas e até velório de avó de líder de facção dentro de presídio, diz MP

Ex-deputado federal está preso desde o último dia 16 sob suspeita de negociar propina de R$ 2 milhões para facilitar megafuga em Eunápolis

Foto: Paulo Sergio/ Câmara dos Deputados

 

O ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB), preso desde o último dia 16, deu aval para que um integrante da facção PCE (Primeiro Comando de Eunápolis) realizasse o velório da avó dentro do Conjunto Penal de Eunápolis. O neto da idosa é o detento Sirlon Risério da Silva, apontado como braço direito de Ednaldo Pereira Souza, o Dada, líder da organização criminosa.

Não houve qualquer registro oficial na portaria.

As informações são do colunista Carlos Madeiro, do portal UOL, com base em investigação do MP-BA (Ministério Público da Bahia).

“A avó de Sirlon faleceu, e eu estou pedindo pra trazer o caixão”, teria dito Joneuma Silva Neres, então diretora da unidade prisional indicada por Uldurico. Ela assumiu o cargo em 14 de março de 2024 e foi afastada no fim do mesmo ano, após 16 presos escaparem em uma fuga facilitada.

Na colaboração premiada, Joneuma admitiu a autorização para a entrada do caixão no presídio. Ela afirmou que um aliado de Uldurico fez a solicitação, e que aceitou por considerar uma “atitude humanitária”.

Segundo a publicação, as regalias incluíam visitas íntimas, acesso irrestrito a eletrodomésticos como freezers e geladeiras, que entravam na unidade com autorização de Joneuma.

Uldurico Júnior foi preso preventivamente sob suspeita de ter negociado uma propina de R$ 2 milhões para facilitar a megafuga, em dezembro de 2024. As investigações apontam, no entanto, que apenas R$ 200 mil teriam sidos efetivamente pagos a Uldurico. A defesa nega o envolvimento dele com qualquer irregularidade. Joneuma diretora cumpre pena em regime domiciliar.

Um dos episódios relatados na delação de Joneuma ocorreu no Dia da Consciência Negra, quando a então diretora autorizou uma festa no pavilhão com todas as celas abertas.

Segundo o depoimento de uma testemunha, uma mulher com trajes típicos distribuiu acarajés aos detentos e, em seguida, houve uma roda de capoeira da qual a própria diretora participou.