ELEIÇÕES


Pré-campanha de Flávio Bolsonaro mira eleitorado católico e leva Frei Gilson ao centro de disputa política

Aproximação com liderança religiosa gera críticas nas redes e expõe estratégia para 2026

Foto: Betto Jr./Secom

 

A movimentação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para ampliar sua presença entre eleitores católicos colocou o nome de Frei Gilson no centro do debate político. Nos últimos dias, grupos ligados à esquerda intensificaram críticas ao religioso nas redes sociais após a circulação de estratégias que indicam uma possível aproximação entre o parlamentar e o frade.

O movimento ocorre em um cenário de disputa crescente pelo voto católico. Levantamentos recentes apontam uma maior proximidade desse segmento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que acendeu o alerta entre aliados de Flávio. Dentro do PL, a avaliação é de que, ao contrário do eleitorado evangélico, historicamente mais alinhado ao bolsonarismo, os católicos ainda representam um campo em disputa e potencialmente decisivo nas eleições de 2026.

Nesse contexto, Frei Gilson surge como uma figura estratégica. O religioso ganhou projeção nacional ao reunir milhões de fiéis em transmissões ao vivo do “Rosário da Madrugada”, alcançando público em diversos países. A forte presença digital e o alto engajamento consolidaram sua influência entre diferentes faixas etárias, especialmente entre jovens e adultos.

Diferentemente de setores mais institucionais da Igreja Católica, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o frade é visto por interlocutores políticos como mais alinhado a pautas conservadoras. Entre 2021 e 2022, ele promoveu transmissões conhecidas como “lives patriotas”, com orações que incluíam mensagens de cunho político, o que voltou a repercutir diante da possível aproximação com o senador.

A articulação gerou reações distintas. Nas redes sociais, críticos apontam tentativa de instrumentalização da fé para fins eleitorais. Já aliados de Flávio Bolsonaro argumentam que o diálogo com lideranças religiosas faz parte da dinâmica democrática e da representação de diferentes segmentos da sociedade.

Nos bastidores, uma das estratégias em análise envolve a escolha de uma vice com perfil católico. Entre os nomes citados está o da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), que mantém proximidade com Frei Gilson e atua em pautas relacionadas ao catolicismo. Integrantes do partido avaliam que a composição pode ampliar a conexão com esse eleitorado.

Além disso, o plano inclui a realização de um grande evento reunindo lideranças religiosas, influenciadores e figuras públicas do meio católico. A iniciativa busca dar visibilidade à articulação e consolidar pontes com um segmento considerado estratégico no tabuleiro eleitoral.