EUNÁPOLIS


Ex-diretora do presídio de Eunápolis é investigada por ordenar assassinatos

Joneuma Silva Neres, além de investigada por facilitar a fuga de detentos, também passou a ser alvo de investigação por outros crimes graves

Foto: Reprodução

 

Baseados em documentos públicos obtidos no sistema do Tribunal de Justiça da Bahia TJ- BA), novos desdobramentos apontam que a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, além de investigada por facilitar a fuga de detentos, também passou a ser alvo de investigação por outros crimes graves, como planejar e ordenar assassinatos. A informação é do portal A Tarde.

Segundo a publicação, ela também é apontada como suspeita de envolvimento na suposta ordem de um atentado contra um ex-servidor da unidade prisional e a sua esposa.

As informações constam em processos judiciais de acesso público, analisados pela reportagem de A TARDE, que detalham a evolução das investigações e decisões judiciais ao longo de 2025 e 2026.

Fuga de presos e primeira prisão

De acordo com os autos, Joneuma teve a prisão preventiva decretada inicialmente por suspeita de participação na fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, ocorrida em 12 de dezembro de 2024. Na época, ela era diretora da unidade.

Ainda segundo reportagem do A Tarde, na ocasião da prisão, a defesa dela chegou a impetrar habeas corpus, mas o pedido foi negado por unanimidade pela Primeira Câmara Criminal do TJ-BA, mantendo a custódia.

Novas acusações e suposto atentado

Durante o andamento das investigações, um novo conjunto de crimes veio à tona. Segundo decisão judicial, Joneuma passou a ser investigada por envolvimento em um plano criminoso que teria como alvo o ex-supervisor do presídio, Wallas Santos de Almeida, e sua esposa.

“Pela suposta prática dos crimes de sequestro e cárcere privado (artigo 148 do Código Penal), roubo com emprego de arma (artigo 157, §2º, inciso I, do Código Penal), ameaça (artigo 147 do Código Penal), violação de domicílio (artigo 150 do Código Penal) e organização criminosa (artigo 2º, caput, da Lei nº 12.850/2013)”, diz um trecho de um dos documentos.

O atentado teria como motivação uma suposta ‘queima de arquivo’, já que Wallas teria colaborado com as investigações que levaram à prisão da ex-diretora.

De acordo com a apuração policial e o Ministério Público do Estado (MP-BA), o crime teria sido articulado em parceria com Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, apontado como líder da facção Comando Vermelho (CV), em Eunápolis. Ele é considerado foragido da Justiça.

Crimes atribuídos à investigada

Conforme consta nos documentos judiciais, Joneuma responde por diversos crimes graves.

“A Impetrante afirma estar a Paciente [Joneuma] presa por suposta prática dos delitos previstos nos art. 121, §2º, I, VII, e VIII, c/c os arts. 14, II, e 29, art. 351, §1º, e art. 163, parágrafo único, I e II, todos do Código Penal, art. 2º, §§2º e 4º, II e IV, da Lei Federal nº. 12.850/2013, art. 16 da Lei Federal nº. 10.826/2003 e art. 32, §1º-A e §2º, da Lei nº. 9.605/98”.

Homicídio qualificado (art. 121, §2º)
Tentativa de homicídio (art. 14, II)
Participação em crime (art. 29)
Fuga de preso / facilitação (art. 351)
Dano ao patrimônio (art. 163)
Organização criminosa (Lei 12.850/2013)
Armas ilegais (Lei 10.826/2003)
Crime ambiental (Lei 9.605/98)

As investigações indicam que esses crimes estariam interligados, formando uma sequência de eventos, na qual o atentado seria consequência direta de uma tentativa de ocultar provas sobre a fuga no presídio.

Prisão preventiva e transferência

Após a descoberta dos novos fatos, uma nova prisão preventiva foi decretada em dezembro de 2025. A nova decisão que determinou a custódia está fundamentada na suposta prática dos crimes de sequestro e cárcere privado, roubo, ameaça, violação de domicílio e organização criminosa.

Na ocasião, a Justiça entendeu que havia indícios suficientes de autoria e risco à ordem pública. Joneuma chegou a ficar custodiada no Conjunto Penal de Itabuna enquanto respondia aos processos.

Pedido da defesa e alegações

A defesa de Joneuma, conduzida pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, argumentou que não há provas concretas da participação da acusada nos crimes investigados, sustentando que as acusações se baseiam, sobretudo, em depoimentos indiretos.

Também alegou a inexistência de risco atual que justificasse a manutenção da prisão preventiva, além de apontar excesso de prazo na condução das investigações.

A defesa destacou ainda a situação pessoal da acusada, afirmando que ela é mãe e chegou a dar à luz durante o período de custódia, enfrentando condições consideradas inadequadas no sistema prisional.

Concessão de prisão domiciliar
Em 16 de março deste ano, o Juízo da 1ª Vara Criminal de Eunápolis reavaliou o caso e concedeu à investigada o direito de cumprir prisão domiciliar, substituindo a prisão em regime fechado.

A decisão levou em consideração mudanças no cenário processual e condições pessoais da acusada.

Posteriormente, ao analisar novo habeas corpus, o TJ-BA entendeu que o pedido perdeu o objeto, já que a situação prisional havia sido alterada.