POLÍTICA


Gilmar Mendes pede investigação contra Alessandro Vieira por suposto abuso na CPI do crime organizado

Ministro aciona a PGR após relator propor indiciamento de integrantes do STF; relatório foi rejeitado pela comissão por maioria de votos

Fotos: Andressa Anholete/SCO/STF e Pedro França/Agência Senado

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por possível abuso de autoridade.

De acordo com o ministro, Vieira incorreu ao propor o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o próprio Gilmar, pelos crimes de responsabilidade no relatório final da CPI.

O texto do senador foi rejeitado pela comissão por 6 votos a 4.

“O claro desvio de finalidade enveredado pelo relator da CPI do Crime Organizado não encontrou guarida sequer entre os seus pares, que deliberadamente optaram por não aprovar o texto de endereçamento final por ele sugerido”, diz o ofício endereçado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Ainda no documento, Gilmar Mendes afirma que a CPI, criada em novembro de 2025, tinha o objetivo de apurar a repressão e a prevenção da criminalidade organizada, como a atuação de milícias, a lavagem de ativos executada com novas tecnologias, o delito de tráfico de entorpecentes e a cooperação entre agências de prevenção e de repressão.

No entanto, na avaliação do ministro, houve desvirtuamento desse foco.

“A proposta de relatório vale-se de juvenil jogo de palavras envolvendo os “crimes de responsabilidade para sugerir que caberia à CPI do Crime Organizado realizar indiciamentos a respeito dessa temática, quando isso não corresponde à realidade”, disse o magistrado.