ECONOMIA


Chefe da fiscalização da BYD é demitido após ‘lista suja’ em fábrica de Camaçari

Gigante chinesa teria submetido 163 trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão durante a construção daunidade

Foto: Assessoria/BYD

 

O secretário nacional de Inspeção do Trabalho da BYD, Luiz Felipe Brandão de Mello, foi dispensado de suas funções no Ministério do Trabalho e Emprego. A saída foi assinada pela Casa Civil da Presidência da República, na sexta (10), e publicada na edição desta segunda (13) no Diário Oficial da União. A informação foi veiculada inicialmente pelo portal UOL.

A demissão ocorre quatro dias após a gigante chinesa ter sido incluída na “lista suja” do trabalho escravo do governo federal. A empresa foi considerada diretamente responsável por submeter 163 trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão durante a construção de sua fábrica em Camaçari (BA).

O número foi identificado na primeira operação de fiscalização, realizada por uma força-tarefa em dezembro de 2024. Posteriormente, com o avanço das apurações, o total de trabalhadores resgatados chegou a 224.

A fabricante automóveis elétricos foi inserida na atualização semestral do cadastro no último dia 6, mas obteve decisão liminar da Justiça do Trabalho e foi retirada dois dias depois. A entrada da montadora na “lista suja” teve repercussão até em Pequim. Instado a comentar sobre o caso, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que o país atribui grande importância à proteção dos direitos dos trabalhadores e exige que suas empresas cumpram as leis.

A reportagem procurou o Ministério do Trabalho e Emprego, órgão ao qual a secretaria está subordinada, em busca de uma posição. O texto será atualizado caso haja resposta.