ECONOMIA


BRB comprou R$ 1,5 bilhão em ativos ligados ao Master após investigação da PF, diz site

Negócios envolvem fundos sob suspeita na Operação Carbono Oculto e foram aprovados mesmo com alertas de risco e análise apressada

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

O Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 1,5 bilhão em ativos que pertenciam ao Master e estavam investidos em fundos administrados pela Reag. A informação é da coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.

Segundo a matéria, as transações ocorreram depois que a instituição financeira já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investigava a utilização de fundos da Reag pelo PCC para lavar dinheiro.

Uma parcela significativa dos ativos comprados pelo BRB apresenta as mesmas características de “fundo sobre fundo” identificadas pela Polícia Federal como parte do esquema investigado na Carbono Oculto, que teria levado à liquidação da Reag e do próprio Master, em novembro de 2025.

O Metrópoles ainda informou que obteve documentos, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), onde mostram que as compras foram aprovadas pelas instâncias decisórias do BRB e pagas antes da produção dos pareceres de risco que apontavam a semelhança com o que era investigado na Carbono Oculto.

Quatro operações foram concluídas às pressas, todas finalizadas em 30 de setembro de 2025, a tempo de constarem nos balanços do terceiro trimestre tanto do BRB quanto do Master. Com isso, o Banco de Brasília se desfez de carteiras já consideradas problemáticas do Credcesta, substituindo-as por ativos com aparência de solidez.

Um parecer emitido em 24 de setembro pela Diretoria de Finanças e Controladoria (Dific) e pela Superintendência de Operações Financeiras (Suope) do BRB indicava que o cenário exigia uma atuação mais cautelosa na condução da proposta. Havia “risco elevado e prazo curto” para analisar os ativos oferecidos pelo Master como solução. Mesmo assim, as operações foram aprovadas.

Em um dos negócios realizados, o BRB comprou, por R$ 350 milhões, 100% das cotas do fundo FIP SH, que era dono de 30% das ações da Stellcorp, empresa de casas modulares.

De acordo com a matéria, para o acordo ser rapidamente fechado, ficou combinado desconto de 33,25% no valor das ações, com cláusula que beneficiava o Master: se o BRB vendesse as ações no futuro por um valor mais alto, os dois dividiriam os lucros. Já o risco de desvalorização ficava todo com o BRB.