POLÍTICA


Deputado cobra esclarecimentos sobre venda da Cesta do Povo e associa caso à investigação contra Banco Master

Para Samuel Júnior, o tema precisa voltar ao debate público, especialmente pelos impactos que o modelo teria causado aos servidores estaduais

Foto: Assessoria/Dep. Samuel Júnior

 

Em meio à repercussão nacional envolvendo o caso do Banco Master, o deputado estadual Samuel Júnior (Republicanos) utilizou o tempo de fala na tribuna da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na última quarta-feira (4), para resgatar um episódio ocorrido no estado que, segundo ele, acabou ficando fora do debate público: a venda da rede Cesta do Povo.

Durante o pronunciamento, o parlamentar destacou o papel histórico da Bahia em momentos marcantes do país. Samuel mencionou desde a chegada dos portugueses ao território brasileiro em 1500 até a fundação de Salvador como primeira capital do Brasil, em 1549. Ele também citou nomes da cultura baiana que alcançaram reconhecimento internacional, como Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.

No discurso, o deputado também relembrou políticas públicas criadas no estado, entre elas a rede de supermercados populares Cesta do Povo, implantada em 1979 pelo então governador Antônio Carlos Magalhães com o objetivo de ampliar o acesso da população a alimentos a preços mais baixos e ajudar no combate à fome.

Segundo Samuel Júnior, o modelo foi encerrado em 2018, quando o então governador Rui Costa (PT) autorizou a venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela gestão da Cesta do Povo. A estatal teria sido negociada por cerca de R$ 15 milhões com o empresário Augusto Lima, ligado ao grupo que posteriormente se tornou alvo de investigação nacional envolvendo o Banco Master.

O parlamentar também questionou a criação do programa CredCesta logo após a negociação. “Menos de 60 dias depois da venda é criado pelo governador o tal ‘CredCesta’, um cartão que todo funcionário público recebe sem nem pedir, podendo lesar até 50% do seu salário se for usado. O senhor Augusto Lima vendeu metade da Cesta do Povo por R$ 30 milhões depois disso, não há negócio mais lucrativo no Brasil”, ironizou.

Para Samuel Júnior, o tema precisa voltar ao debate público, especialmente pelos impactos que o modelo teria causado aos servidores estaduais. De acordo com o deputado, enquanto o programa se tornou alvo de críticas entre trabalhadores do estado, os empresários envolvidos teriam obtido altos lucros com a operação.

Ainda durante o discurso, o parlamentar mencionou informações divulgadas sobre a atuação do senador Jaques Wagner (PT) no caso, citando a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pelo banco, com remuneração considerada elevada.

“Os trabalhos exercidos foram recompensados com R$ 1 milhão de reais mensais. Quem aqui recebe um salário desse? Só jogador de futebol, e de time grande, porque aqui no Nordeste isso não é comum. Mas como dizia o doutor Octávio Mangabeira, pense num absurdo, na Bahia tem precedente. E a cada dia nós vemos que ele tinha razão.”

Samuel Jr. também defendeu que os fatos envolvendo a venda da Ebal e a criação do CredCesta sejam novamente discutidos, com mais transparência e esclarecimentos à população.