JUSTIÇA


Ministros do STF veem ‘saída honrosa’ para Toffoli se caso Master for enviado à 1ª instância

Relator resiste a abandonar processo e tem dito a auxiliares não ver motivo para suspeição

Foto: Ascom/STF

 

Integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) passaram a defender o envio da investigação do caso Master à primeira instância como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli e contorno da crise de imagem enfrentada atualmente pela corte. Toffoli, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo informa que o ministro está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a própria Folha.

A operação Compliance ZeroDaniel Vorcaro tem como principal alvo o dono do Banco Master. A ação teve início na Justiça Federal em Brasília, mas foi remetida ao STF após a Polícia Federal apreender um documento que menciona o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado.

Aberta na Justiça Federal de São Paulo, outra investigação também foi encaminhada ao STF e embasou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, que apura suspeitas de fraudes no Banco Master por meio de fundos de investimento, envolvendo empresários.

Segundo investigadores que acompanham o caso, até o momento não há indícios de envolvimento do parlamentar nas supostas irregularidades. Bacelar afirma que participou de um fundo voltado à construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro demonstrou interesse em adquirir parte do projeto, mas o negócio não se concretizou.

De acordo com a Folha, uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau —seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

Nessa hipótese, diz a publicação, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.