JUSTIÇA


Toffoli usou mais de R$ 500 mil de dinheiro público com seguranças durante estadias em resort

Funcionários do local tratam ministro do STF como proprietário do empreendimento, que fica no Paraná

Foto: Rosinei Coutinho/STF

 

O ministro do STF, Dias Toffoli, usou R$ 548 mil dos cofres públicos com seguranças em suas estadias no Resort Tayayá desde dezembro de 2022, segundo a colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles. O empreendimento está localizado no município paranaense de Ribeirão Claro e abriga cassino com jogos ilegais, como a modalidade blackjack.

De 2022 para cá, Toffoli passou 168 dias no resort, que era oficialmente ligado à sua família até a venda de todas as cotas do local para o advogado Paulo Humberto Barbosa, sócio do presidente da Friboi, Renato Mauro Menezes Costa.

Foram enviados de quatro a cinco seguranças por estadia para fazer a guarda do ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando a estadia de Toffoli se estendia por mais de cinco dias, as turmas de agentes eram trocadas.

Uma reportagem do portal Metrópoles apontou que os funcionários do resort tratam Dias Toffoli como proprietário. O ministro do STF tem uma casa próxima do empreendimento, em uma área denominada Ecoview, destinada a hóspedes de alto padrão. Dias Toffoli tem também à sua disposição uma embarcação, que fica atracada no píer do resort.

Sobre o novo dono do resort

Paulo Humberto é sócio do atual presidente da Friboi, Renato Mauro Menezes Costa, e de Gabriel Paes Fortes, que é cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. Paulo Humberto, Renato Mauro Menezes Costa e Gabriel Paes Fortes são donos da Petras Negócios e Participações, empresa de aluguel de aeronaves.

Procurada para falar sobre o assunto, a JBS, empresa que detém a marca Friboi e que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista, escreveu em nota que “o escritório do advogado mencionado [Paulo Humberto Barbosa] defendeu a empresa em ações no estado de Goiás. Nem a companhia nem os acionistas possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com qualquer outro negócio do advogado”.

Toffoli é pressionado sobre o caso Master

Dias Toffoli tem sido pressionado para deixar a relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairá da posição por vontade própria, nem será “empurrado” por pressões da corte ou externas.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tem apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo é o risco de abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.