SAÚDE


Governo decide não incluir vacina contra herpes-zóster no SUS por alto custo

Ministério da Saúde estima gasto de R$ 5,2 bilhões em cinco anos e mantém imunizante restrito à rede privada

Foto: Leonardo Rattes / Saúde GovBA

 

O Ministério da Saúde decidiu barrar a incorporação da vacina recombinante contra o herpes-zóster, conhecido como cobreiro, ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (12) e teve como principal justificativa o impacto financeiro da medida, considerado elevado para os cofres públicos.

A análise foi feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar evidências científicas, custo-efetividade e impacto orçamentário antes da inclusão de medicamentos e vacinas na rede pública. O imunizante havia sido avaliado para idosos a partir de 80 anos e para pessoas imunossuprimidas maiores de 18 anos, mas o custo estimado, R$ 5,2 bilhões em cinco anos, pesou contra a aprovação. Para comparação, todo o Programa Farmácia Popular consumiu R$ 4,2 bilhões em 2025.

Com a decisão, a vacina segue disponível apenas na rede privada, com preço médio de R$ 700 por dose, sendo necessárias duas aplicações para o esquema completo. A versão analisada é a única disponível atualmente no Brasil e representa um avanço em relação às anteriores, por não utilizar vírus vivo e oferecer maior eficácia e proteção prolongada.

Apesar da negativa, o Ministério da Saúde informou que a incorporação pode ser reavaliada no futuro, caso novos dados técnicos ou econômicos sejam apresentados. Enquanto isso, o governo reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento antiviral para reduzir complicações da doença, especialmente em pessoas acima dos 40 anos ou com o sistema imunológico comprometido.