SAÚDE


Campanha contra dengue prevê vacinar 1,2 milhão de profissionais de saúde; veja público-alvo

Foram distribuídas aos estados as primeiras 650 mil doses

Foto: Bruno Concha/ Secom PMS

 

Começou nesta semana a vacinação contra a dengue para profissionais da atenção primária do SUS, com previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente. O Ministério da Saúde informou que 650 mil doses já foram enviadas aos estados, e o restante será distribuído nos próximos dias.

A estratégia utiliza a vacina brasileira do Instituto Butantan, de dose única, tetraviral e 100% nacional. Segundo a pasta, o imunizante representa avanço na autonomia do país. A ampliação para pessoas de 15 a 59 anos está prevista para o segundo semestre, condicionada ao aumento da produção. O ministério investiu R$ 368 milhões na compra de 3,9 milhões de doses.

Desde janeiro, a vacina também é aplicada em três municípios-piloto — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) — para avaliar o impacto na dinâmica da doença. Nessas cidades, o público-alvo inclui adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

A produção deve ser ampliada por meio de parceria entre o Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, com potencial de multiplicar a capacidade em até 30 vezes.

Nos estudos, a vacina apresentou 74,7% de eficácia contra dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e 89% de proteção contra formas graves.

Público-alvo

Profissionais de saúde e prevenção: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE).

Trabalhadores das unidades básicas: recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de ambulância, cozinheiros e demais funcionários das UBS.

Cenário epidemiológico

Em 2025, o Brasil registrou queda de 74% nos casos de dengue em relação a 2024: foram 1,7 milhão de casos prováveis, contra 6,5 milhões no ano anterior. As mortes caíram 72%, passando de 6,3 mil para 1,7 mil. O ministério reforça, porém, a necessidade de manter as ações de combate ao Aedes aegypti.