SALVADOR


Prefeitura desmente comunicado da SMS e nega interrupção de avaliação vascular em UPAs

Após divulgar suspensão do serviço, gestão Bruno Reis diz se tratar de uma medida para revisão do fluxo devido à falta de leitos na rede estadual

Foto: Valter Pontes/Secom/Prefeitura de Salvador

 

A gestão Bruno Reis (União Brasil) negou nesta quinta-feira (2) que tenha interrompido a oferta de avaliação vascular especializada nas Upas (Unidades de Pronto Atendimento) de Salvador e desmentiu um comunicado divulgado pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde) na terça-feira (31).

Embora o texto da pasta informe que o serviço seria suspenso a partir de quarta (1º), a assessoria do prefeito diz se tratar de uma medida para revisão do fluxo e não representa qualquer interrupção do atendimento à população.

A nota acrescenta que a avaliação vascular especializada é procedimento complementar que não integra as atribuições diretas dessas unidades.

“A SMS destaca que as UPAs são voltadas ao atendimento de urgência e emergência, com foco na estabilização clínica dos pacientes e no encaminhamento regulado para unidades hospitalares. A chamada avaliação vascular especializada não faz parte desse escopo assistencial, tendo sido incorporada pelo município de forma adicional, como uma colaboração à dinâmica estadual de regulação, com o objetivo de dar maior agilidade à liberação de leitos.”

A gestão municipal afirma que a experiência prática demonstra que a medida não tem surtido o efeito esperado e diz que há representantes da fila de regulação estadual em razão da falta de leitos.

“Mesmo com a realização da etapa complementar, centenas de pacientes seguem aguardando transferência para unidades hospitalares, já regulados e com indicação de internação. Atualmente, 327 pacientes permanecem nas UPAs municipais nessa situação, incluindo casos vasculares”, diz o novo comunicado.

Em nota divulgada anteriormente, a Sesab criticou o que chamou de “decisão abrupta” e medida que desorganiza a rede assistencial e compromete a continuidade do cuidado prestado à população, que deixará de contar com avaliação especializada na capital baiana.

De acordo com a pasta, a suspensão do serviço significa mais tempo de espera, risco de agravamento clínico dos pacientes.

A diretora do serviço estadual de regulação, Rita Santos, diz que as demandas até então eram analisadas por médicos da própria estrutura municipal. Segundo a gestora, com a suspensão dos atendimentos, os pacientes passarão a depender de encaminhamento para unidades estaduais, sobrecarregando uma rede que já opera com alta demanda.
“É necessário registrar, porém, que a interrupção desse serviço nas unidades municipais de Salvador é uma decisão da Prefeitura, que fragiliza o atendimento ao cidadão e impõe ao Estado uma sobrecarga evitável. O fortalecimento do SUS depende do compromisso conjunto de todas as esferas de gestão”, diz a Sesab.