SALVADOR


Prefeitura de Salvador atende mais de 600 famílias afetadas por contaminação em São Tomé de Paripe

Ação emergencial inclui cestas básicas e atualização cadastral para acesso a programas sociais

Foto: Bruno Concha / Secom PMS

 

A Prefeitura de Salvador iniciou, nesta quarta-feira (8), uma ação emergencial conjunta para atender marisqueiras, pescadores e ambulantes de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, afetados pela contaminação por produtos químicos na praia da região.

A iniciativa envolve as secretarias municipais de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) e Especial do Mar (Semar), e contempla 626 famílias. O atendimento segue até esta quinta-feira (9), na Escola Municipal Otaciano Pimenta, das 8h às 17h, sendo direcionado a pessoas previamente cadastradas na Sempre.

Além da distribuição de cestas básicas, a ação busca ampliar o acesso ao Cadastro Único, permitindo que as famílias atualizem ou realizem o registro no próprio local, sem a necessidade de deslocamento até o bairro do Comércio, onde funciona a central do serviço.

De acordo com o titular da Sempre, Júnior Magalhães, o apoio às pessoas economicamente afetadas pela contaminação do mar na região é fundamental para garantir assistência às famílias. “Estamos diante de um quadro social alarmante, e a nossa preocupação é social. Por isso, estamos atuando aqui, atendendo às pessoas que foram diretamente impactadas, pois fazem do mar o ganha-pão e o sustento de suas famílias. Sabemos que a situação de vulnerabilidade social é grande e, sem o sustento e a renda complementar, isso agrava ainda mais o cenário”, afirmou.

A secretária especial do Mar, Maria Eduarda Lomanto, destacou que a iniciativa chama atenção para os diversos impactos sociais provocados por um problema ambiental. “O papel do município é acolher, entender as dificuldades e olhar com carinho para os pescadores e marisqueiros da nossa cidade. Para nós, o principal é pensar no futuro dessas pessoas, no que vai acontecer a partir de agora. A Prefeitura está atenta a tudo isso. Os CRAS estão de portas abertas, assim como as UPAs, os postos de saúde e os programas sociais. Estamos acompanhando tudo, com atenção ao que acontece na cidade”, completou.

Prejuízos – A praia de São Tomé de Paripe foi interditada no dia 11 de março, após análise técnica do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que constatou contaminação por cobre e nitrato na faixa de areia, onde também foram registradas manchas azuladas e amareladas, além de mortes de animais marinhos. As substâncias podem causar riscos à saúde, como infecções, hepatite A e conjuntivite. O terminal foi suspenso temporariamente, mas já foi liberado. A investigação segue, conforme informou a gestão estadual.

Entre os prejudicados pela contaminação está a marisqueira Ediunice Oliveira, de 55 anos. Ela contou que a situação impactou diretamente sua rotina, comprometendo seu principal sustento. “Nessa época, por conta da Semana Santa, era para estarmos ganhando dinheiro. Mas não tivemos condições de pescar, porque a maré está contaminada e os pescados estão morrendo. Já são quase três meses. Perdemos não só o sustento, mas também o lazer, que é a praia, além de um recurso natural essencial para a nossa sobrevivência. Essa ação vai ajudar muito, porque estamos sem ter como sobreviver. O benefício vem para ajudar. Me sinto vista, e isso é muito importante”, afirmou.

Nascida e criada em São Tomé de Paripe, a marisqueira e quilombola Elindeia Medeiros, de 47 anos, além de garantir o sustento com a mariscagem, também emprega outras pessoas. “Somos seis irmãos. Sou dona de aviamento, rede e canoa, e fui diretamente impactada. Meu aviamento está parado, não temos como pescar. Agora mesmo começa a época do camarão, e não podemos vender. Esse benefício vai ajudar muito, é uma cesta bem servida que vai ‘segurar a onda’. Os meninos que pescam no meu aviamento se inscreveram e foram contemplados, o que é muito positivo”, comentou.

O irmão mais novo de Elindeia, Edson Conceição, de 42 anos, também relatou os impactos da contaminação em sua rotina. “Para nós, marisqueiros, principalmente os quilombolas, isso foi um desastre. Já vinha acontecendo, mas agora piorou muito”, disse. Na casa dele, quatro pessoas dependem dos pescados, além de outros familiares vizinhos. “A ação é bem-vinda e está agradando a mim e a muita gente. Nunca recebi o Seguro-Defeso, e espero que agora essa conquista venha”, completou o pescador.