SALVADOR


MP pede prisão preventiva de três PMs por execução sumária de jovens em São Marcos

Promotoria desmonta versão dos agentes de troca de tiros; uma das vítimas foi um adolescente de 16 anos (foto), alvejado três vezes pelas costas já rendido

Fotos: Reprodução/Redes sociais

 

O Ministério Público da Bahia pediu a prisão preventiva dos policiais militares Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira suspeitos de executar sumariamente Mateus Daniel Chagas da Silva e o adolescente Kaique Reis Santos, de 16 anos, alvejados a tiros em 28 de setembro de 2025, no bairro de São Marcos, em Salvador.

Os três policiais foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa às vítimas e com utilização de arma de uso restrito. O pedido à Justiça foi feito na quinta-feira (11) por promotores de Justiça do Geosp (Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública).

Segundo o MP, as investigações apontam para execução sumária, sem qualquer chance de os dois jovens terem reagido à abordagem policial. Os exames periciais e os testemunhos registram que não houve troca de tiros antes das mortes, como alegado pelos PMs, e demonstram que as vítimas não realizaram disparos e a ausência de sinais de confronto armado no local.

Rendidos

De acordo com a Promotoria, o adolescente Kaique Reis Santos estava rendido, mas os policiais o mandaram correr e atiraram no jovem pelas costas.

Testemunhas afirmaram que Kaique havia saído para comprar pão quando encontrou os PMs, que estariam à procura de supostos traficantes armados nas proximidades de um campo onde acontecia uma partida de futebol naquele mesmo dia.

Ao se deparar com os PMs armados, o adolescente imediatamente levantou as mãos e se virou de costas, em posição clara de rendição. Mesmo assim, ele foi atingido por três disparos — um na perna, no momento em que começou a correr, e os outros dois já ferido, em um beco.

Segundo a denúncia do MP, as vítimas estavam mortas quando foram retiradas do local e chegaram sem vida a um hospital da capital.

Antes de ser colocado na viatura, Kaique Reis Santos teria sido carregado com um pano sobre o rosto, com a cabeça batendo em escadas.