SALVADOR


Fundação Cidade Mãe busca novas famílias acolhedoras para crianças e adolescentes em Salvador

Famílias cadastradas recebem acompanhamento psicossocial da Fundação Cidade Mãe antes, durante e após o período de acolhimento

Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

 

A Fundação Cidade Mãe (FCM), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), está ampliando o cadastro de famílias acolhedoras para receber, de forma provisória, crianças e adolescentes em situação de risco afastados do convívio familiar por medida protetiva determinada pela Justiça.

As famílias cadastradas recebem acompanhamento psicossocial da Fundação Cidade Mãe antes, durante e após o período de acolhimento, além de orientação técnica ao longo de toda a participação no serviço. “Hoje, temos uma necessidade de ampliar o número de famílias acolhedoras. A sociedade precisa entender que ela pode ser parte, fazer a diferença, marcar uma geração, mudar para sempre a vida de uma pessoa. O Serviço Família Acolhedora é muito apaixonante e tem um impacto muito grande na vida das crianças”, afirma a presidente da Fundação Cidade Mãe, Isabela Almeida.

Segundo a gestora, o acompanhamento às famílias acontece durante todas as etapas do acolhimento, inclusive com suporte psicológico para trabalhar o vínculo criado com a criança. “A Fundação Cidade Mãe acompanha a família acolhedora o tempo todo. Antes, durante e depois. As famílias recebem acompanhamento psicológico, inclusive para trabalhar a questão do vínculo. Existe também a possibilidade de as famílias acolhedoras se tornarem madrinhas, de acordo com a permissão da família para a qual a criança será direcionada, seja a família biológica ou adotiva. No final, quem ganha é a criança, com várias fontes de amor e cuidado”, diz.

Os interessados em participar do Serviço Família Acolhedora podem se inscrever ou obter mais informações pelo e-mail familiaacolhedora.fcm@salvador.ba.gov.br ou pelos telefones (71) 3202-2428 e (71) 3202-2429. Para participar, é necessário apresentar documentos como RG, CPF, comprovantes de residência e de renda, ter mais de 21 anos, morar em Salvador há pelo menos dois anos, estar em boas condições de saúde física e mental, não possuir vínculo de parentesco com a criança ou adolescente em processo de acolhimento e contar com a adesão de todos os integrantes da família à proposta do serviço, entre outros requisitos.

A dona de casa Marilene Santos, de 42 anos, está há cinco meses acolhendo o bebê EDS, de oito meses. “Eu costumo dizer que o serviço é uma doação, e não só a gente doa, eles também doam. Na verdade, a gente recebe mais do que doa, porque a palavra que define o serviço é ‘amor’. Temos que passar esse amor. Há pessoas que não entendem e pensam apenas no momento da partida da criança, mas é preciso compreender que ela não pode sentir que foi abandonada. E eles retribuem com tanta simplicidade, por meio de um gesto, um abraço, um carinho. Para mim, é uma companhia. Ele se torna o meu companheiro. É muito gostoso”, declara.

Marilene já acolheu quatro crianças. Para ela, que não tem filhos, a experiência tem sido transformadora. O esposo de Marilene, Evandro Santana, de 49 anos, também relata o impacto da experiência. “São crianças que entram na nossa casa e mudam a nossa rotina. É muito lindo! Houve um bebê que nós acolhemos que me esperava no portão no horário em que eu chegava do trabalho. Quando eu chegava, ele me puxava pela mochila, queria tomar café comigo. É algo que não tem preço. Eu peço a Deus que outras famílias façam o mesmo por essas crianças.”

Funcionamento

O Serviço Família Acolhedora está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em Salvador, é regulamentado pela Lei Municipal nº 9.015/2016 e foi implantado pela Fundação Cidade Mãe. Desde sua implantação, o serviço já acolheu 52 crianças. A primeira delas foi atendida em 2021.

Segundo Isabela Almeida, em alguns estados o serviço é executado por organizações do terceiro setor ou pelos governos estaduais. Em Salvador, porém, o Serviço Família Acolhedora é desenvolvido exclusivamente pela Prefeitura, por meio da Fundação Cidade Mãe. As crianças são encaminhadas pela 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. São crianças que sofreram algum tipo de violação de direitos e que precisam de proteção até que possam retornar à família de origem ou sejam encaminhadas para adoção.

“O amparo e o suporte que a criança recebe de uma família, dentro de uma casa, fazem toda a diferença. Com o Serviço Família Acolhedora, são garantidos elementos básicos para que crianças e adolescentes, ainda em desenvolvimento, possam construir uma base saudável. No ambiente familiar, eles recebem amor, cuidado e proteção de forma mais exclusiva e direcionada”, afirma.

Isabela destaca ainda o caso de um bebê encaminhado ao serviço com apenas 14 dias de vida e que conseguiu se recuperar de um problema de postura na mão graças aos cuidados recebidos pela família acolhedora. “A mãozinha dele era virada para trás e não ficava na posição normal. A família acolhedora teve todo o cuidado e uma atenção muito específica com ele. Com um mês, esse bebezinho estava com a mãozinha normal. Essa é apenas uma das histórias de transformação na vida dessas crianças, mas talvez o maior impacto ocorra no aspecto emocional. Nós percebemos a diferença no comportamento delas”, diz.