POLÍTICA


Vereadoras da oposição criticam prefeito por liberar uso da Bíblia nas escolas de Salvador

Aladilce Souza (PCdoB) e Marta Rodrigues (PT) acusam prefeito de ferir laicidade do Estado

Foto: Antonio Queirós

 

As vereadoras Aladilce Souza (PCdoB) e Marta Rodrigues (PT) reagiram com dureza nesta quinta-feira (13) à decisão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) de sancionar a lei que autoriza o uso da Bíblia como material paradidático nas escolas de Salvador.

Para a líder da bancada de oposição, Aladilce, a medida desrespeita a laicidade do Estado e revela um desalinhamento da gestão com as demandas reais da educação pública. “Votei contra! O Estado brasileiro é laico, a Educação tem que ser laica também, ou seja, não pode estimular ou direcionar o aluno para nenhuma religião”, disse ao MundoBA.

Também ao MundoBA, Marta Rodrigues classificou a sanção como “um retrocesso”, afirmando que a prefeitura ignora princípios constitucionais ao favorecer interesses de grupos específicos. “A sanção da Lei da Bíblia pelo prefeito é um retrocesso e levanta sérias dúvidas sobre prioridades da prefeitura e do respeito à Constituição Federal”, afirmou.

A vereadora ressaltou que Salvador é uma cidade de maioria negra e religiosamente plural, destacando que as escolas devem ser espaços de diversidade e convivência entre diferentes expressões espirituais. “Ninguém questiona a Bíblia como livro, mas a escola pública deve ser plural, ensinar respeito e garantir harmonia entre todas as crenças.”

Marta também chamou atenção para o contraste entre a rapidez na aprovação da nova lei e a dificuldade histórica da rede municipal em cumprir legislações que tratam do ensino da cultura afro-brasileira, africana e indígena, como as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008.

“A sanção foi super rápida e mostra o descompasso da prefeitura com as prioridades educacionais numa capital marcada pelas religiões de matriz africana”, completou.

Ela lembrou ainda que o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, aprovado em 2018, reforça a necessidade de proteger a diversidade religiosa nas escolas. “O ensino público deve acolher todas as tradições. Medidas como essa têm impacto simbólico e pedagógico, afetando estudantes e famílias de diferentes crenças”, disse.

O que diz a lei
A lei sancionada por Bruno Reis autoriza o uso da Bíblia como apoio nas disciplinas de História, Literatura, Geografia, Filosofia, Artes e Ensino Religioso, sempre com foco cultural, histórico e arqueológico. O texto estabelece que o uso não tem caráter religioso e que nenhum aluno será obrigado a participar de atividades com o livro.