POLÍTICA


Vereador de Salvador apresenta moção de repúdio a desfile que satirizou ‘neoconservadores’ na Sapucaí

Para Ricardo Almeida, encenação da Acadêmicos de Niterói foi interpretada como depreciativa a valores familiares e ofensiva à fé religiosa de milhões de brasileiros

Imagem: Reprodução/TV Globo

 

O vereador Ricardo Almeida (Democracia Cristã) apresentou na Câmara de Salvador uma moção de repúdio à ala conservadora retratada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói em desfile em homenagem ao presidente Lula (PT), no Carnaval do Rio.

Intitulada “Neoconservadores em conserva”, a encenação levou para a Marquês de Sapucaí integrantes da agremiação dentro de latas com rótulos alusivos à chamada “família tradicional”, incluindo simbologias associadas a evangélicos e a outros segmentos religiosos.

De acordo com o texto apresentado por Ricardo Almeida, a representação foi interpretada por parte da sociedade como depreciativa a valores familiares e ofensiva à fé religiosa de milhões de brasileiros.

“A Câmara manifesta veemente reprovação à forma como valores familiares e religiosos foram retratados na apresentação carnavalesca e conclama os Poderes Públicos a avaliarem eventuais consequências legais, inclusive no campo penal, caso entendam cabível”, diz Almeida, ligado à Primeira Igreja Batista do Brasil.

Para o vereador, a liberdade de expressão e de criação artística, assegurada pelo artigo 5º da Constituição Federal, não podem se sobrepor ao respeito à dignidade da pessoa humana, à igualdade e à convivência harmônica entre diferentes tradições religiosas.

A moção também aponta que a escola de samba recebeu financiamento com recursos públicos provenientes de repasses federais destinados ao Carnaval. Para o parlamentar, tais verbas devem ser aplicadas com responsabilidade e respeito à diversidade religiosa, sem promover representações que possam ser interpretadas como humilhação ou ridicularização de comunidades de fé.

O documento menciona ainda o artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que tipifica como crime a prática, indução ou incitação à discriminação por motivo de religião, apontando que a situação poderá ser analisada sob o aspecto jurídico pelas autoridades competentes.