POLÍTICA


Tarcísio critica CEO da Enel e diz que fala sobre apagões é ‘blasfêmia’

Governador reagiu a declaração do executivo que disse que 'apenas Jesus Cristo' poderia evitar blackouts em São Paulo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta terça-feira (24) declarações do CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, sobre os apagões recorrentes no estado e classificou a fala como “blasfêmia”.

“Eu quero lamentar a fala sobre Jesus Cristo porque é blasfêmia. A pior coisa que existe é a blasfêmia, a gente não pode usar o nome de Deus em vão”, afirmou o governador a jornalistas.

A reação ocorreu após Cattaneo atribuir as quedas de energia em São Paulo a características estruturais da rede elétrica da capital. Durante o evento “Enel Capital Markets Day 2026”, realizado na segunda-feira (23), em Milão, na Itália, o executivo afirmou que a infraestrutura na cidade é majoritariamente aérea e atravessa áreas com grande concentração de árvores.

Segundo ele, em cenários de chuvas intensas e eventos climáticos extremos, seria “impossível evitar o blackout”. “Existe uma situação particular porque a infraestrutura em São Paulo não é subterrânea, é totalmente aérea e passa por dentro das árvores, não pelas laterais. Isso é impossível porque há uma tempestade. É uma situação especial. É impossível evitar o apagão”, declarou. Em seguida, acrescentou que “apenas Jesus Cristo poderia resolver” o problema.

Tarcísio considerou a declaração “profundamente lamentável” e disse que ela demonstra falta de compromisso da empresa com a solução dos problemas enfrentados pela população. O governador afirmou que os consumidores convivem com falhas frequentes no fornecimento e que, caso a concessionária não tenha condições de realizar os investimentos necessários, deveria admitir.

Ele também defendeu uma atuação mais firme do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), além de cobrar maior pressão por parte da imprensa. Segundo Tarcísio, o governo paulista já voltou a notificar a Aneel e aguarda providências.

“Na boa, não vão resolver, esses caras não vão dar conta. Eles não têm condição, não vão fazer, não querem fazer, fracassaram onde estiveram. Não tem um estado onde eles prestem serviço que o serviço seja bom”, disse.

O governador afirmou ainda que a fala do executivo reforça a percepção de que a companhia não conseguirá solucionar os problemas e cobrou do governo federal uma resposta para garantir um serviço adequado à população paulista.