POLÍTICA


Sidninho usa discurso violento ao chamar professores de ‘vagabundos’, diz líder da oposição

Aladilce (PCdoB) rechaçou fala em que vereador deslegitima greve da categoria e ameaça apresentar contracheques de docentes supostamente acima do piso

Foto: Reprodução/Instagram/Aladilce Souza

A líder da oposição na Câmara de Salvador, Aladilce Souza (PCdoB), rechaçou nesta quarta-feira (11) o discurso “violento” do vereador Sidninho (PP), que chamou de “vagabundos” professores da rede municipal em greve há cerca de um mês.

A fala foi feita em uma sessão na Casa na segunda-feira (9), duas semanas após o pepista ser mordido no braço por um representante da APLB-Sindicato em um protesto contra o reajuste salarial aprovada pelo Legislativo e rejeitada pelos educadores.

Ao MundoBA, Aladice afirmou que as “adjetivações” utilizadas por Sidinho são “absurdas”. “Esse tipo de tratamento, agressivo, violento, com os movimentos sociais não contribui. Não combina com a liturgia do nosso cargo. A Câmara é um poder Legislativo, e nós temos que dar exemplo”, disse ela.

“O que precisamos fazer é uma mediação que contribua para fazer pontes com os movimentos em litígio com o Executivo. Uma mediação para construir pontes. Esse tipo de tratamento não ajuda, mas só acirra os ânimos e traz outras consequências”, acrescentou a vereadora.

Em uma reação inflamada no plenário da Câmara, Sidninho afirmou que a professora Elza Melo, diretora da entidade, receberia neste mês um salário de R$ 23 mil, cifra superior ao piso da categoria —o que, segundo ele, deslegitima a paralisação. Elza Melo disse à reportagem que vai pedir retratação ao vereador.

“Os vagabundos que estão aí fora cultivando essa greve, ou então representando essa greve, vão ter que responder agora”, disse o vereador, que prometeu apresentar uma planilha com os valores dos vencimentos dos professores.

Aladilce afirmou que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) deveria fazer um “gesto de grandeza” e reabrir o diálogo com a categoria para pôr fim ao impasse. Para ela, o Executivo patrocinou a emenda que desconfigurou o plano de carreira dos profissionais e resultou no impasse atual.

“O prefeito Bruno Reis, que é a maior liderança política da cidade, precisa fazer um gesto magnânimo de recompor a mesa de negociação para discutir os efeitos da emenda que foi proposta de última hora, sem análise, sem debate, sem saber o que isso poderia provocar”, declarou a vereadora.