POLÍTICA


Rui Costa defende Lula sobre reunião com Vorcaro e diz que presidente atua de forma democrática com todos setores do país

Chefe da Casa Civil também evitou críticas ao Banco Central e negou qualquer desconforto do PT sobre pedido de abertura de CPMI

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), defendeu, nesta segunda-feira (2), a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da repercussão envolvendo o Banco Master e a reunião entre o chefe do Executivo e o empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, no Palácio do Planalto. Questionado sobre o encontro, Rui afirmou que Lula atua de forma democrática e mantém uma agenda aberta a representantes de diversos setores do país.

“O presidente da república recebe, institucionalmente, todos atores econômicos. O presidente já recebeu vários presidentes de bancos, tantos quantos pedidos para tratar de assuntos institucionais, ele recebeu como empresários do setor industrial, como empresários da agricultura, como representantes da população, de entidades, como do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] e outros, um presidente que se ele quer governar de forma democrática, ele tem que estar aberto a sua agenda ao ouvir representantes dos diversos segmentos financeiros, produtivos, de representação de classe, de movimentos sociais, a agenda do presidente é recheada desses encontros, se algum ator que ao longo do tempo representa algum segmento vier a cometer erros, isso não inviabiliza o presidente”, explicou o ministro.

As declarações ocorrem em meio às investigações que envolvem o Banco Master, alvo de apurações administrativas e policiais relacionadas a suspeitas de fraudes bilionárias. Questionado se o Banco Central teria demorado a agir no caso, Rui Costa evitou qualquer crítica ao órgão regulador e afirmou que o BC conta com profissionais concursados e competentes.

“Eu não costumo ficar julgando o trabalho dos outros, ali tem gente concursada, muito experiente, que avalia cotidianamente, situação financeira, de todas as instituições financeiras, acho que eu não tenho elementos para julgar os detalhes, porque eu não detenho os detalhes das informações que eles foram obtendo ao longo do tempo. Então seria leviano fazer um julgamento sem ter os elementos fundamentais que me dissessem que podia ser um pouco antes, foi no momento exato, eu não consigo ter elementos para julgar, eu não quero ficar dando opinião de forma retórica. Quem está lá, repito, todo mundo lá é concursado, exceto a diretoria, mas a diretoria, inclusive, é toda feita de gente muito capaz, técnica, e eu acho que está tratando tecnicamente o assunto”, disse.

Abertura de CPMI

Ao comentar sobre um possível desconforto do PT em relação ao caso e sobre a ausência de assinaturas de parlamentares do partido e da base em um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O ministro negou qualquer resistência dos deputados e senadores aliados e reafirmou que há apoio.

“Não é informação que eu tenho. Esses dias, hoje, inclusive, eu tive informação que vários parlamentares do PT, do PCdoB, de outros partidos, estão assinando e se posicionado favorável por ação. Eu não tenho essa informação, não há nenhum posicionamento nosso. Não há nenhum posicionamento nosso contra, muito pelo contrário”, pontuou.

No entanto, conforme um levantamento feito pela CNN Brasil, o pedido de criação de uma CPMI para investigar o suposto esquema de fraudes do Master só conta com uma assinatura de apoio do senador do PT, Fabiano Contarato. Nenhum outro congressista do partido de Lula teria aderido ao pedido.

A lista conta com mais de 270 assinaturas, sendo a maioria de filiados ao Partido Liberado e a siglas de oposição.

Autonomia nas investigações

O ministro reforçou que as investigações sobre o Banco Master seguem em andamento tanto no âmbito administrativo quanto policial, destacando a autonomia dos órgãos responsáveis. “Em relação ao Banco Master, as apurações administrativas estão em curso e as apurações eventualmente que podem se tornar em processos judiciais através da Polícia Federal também estão em curso. A Polícia Federal, no governo do presidente Lula, tem tido absoluta autonomia para apuração”, disse.

O petista também defendeu a separação entre os Poderes e afirmou que cabe exclusivamente ao Congresso decidir sobre a abertura ou não de uma CPMI. “Ao Congresso cabe avaliar de que forma quer acompanhar ou quer apurar. Seguindo o discurso do presidente do Congresso, não cabe a gente ficar dando opinião”, afirmou.