POLÍTICA


‘Romantizar cenário crítico não protege ninguém’, diz deputado sobre segurança da Bahia

Capitão Alden critica comunicação do governo e afirma que falta controle efetivo sobre áreas dominadas pelo crime

Foto: Ascom Alden

 

O deputado federal Capitão Alden (PL-BA), vice-líder da oposição na Câmara, fez duras críticas à condução da política de segurança pública do governo Jerônimo Rodrigues (PT), ao comentar a situação no Nordeste de Amaralina, em Salvador, nesta segunda-feira (9). Para o parlamentar, o cenário de tensão, com operações sucessivas e morte de policial, desmonta qualquer tentativa de narrativa de normalidade por parte do governo estadual.

Segundo Alden, o contexto atual não permite discursos de autopromoção nem minimização da gravidade dos fatos. “Quando temos policial morto, sucessivas operações com alto grau de letalidade e um ambiente de tensão instalado, a postura responsável do gestor público é reconhecer a gravidade e não minimizar o cenário”, afirmou ao MundoBA.

O deputado também criticou o que chamou de distanciamento entre a realidade do enfrentamento ao crime organizado. “Segurança Pública não se mede por declaração política, mede-se por controle territorial efetivo, preservação da vida dos profissionais de segurança e sensação real de segurança da população. E, infelizmente, a Bahia ainda lidera números absolutos de mortes violentas no país”, disse. 

Na avaliação de Alden, os dados e a rotina de violência contradizem o discurso de fortalecimento do Estado. “Isso por si só já desmonta qualquer narrativa de ‘Estado forte’ no enfrentamento à criminalidade”.

O parlamentar também comentou a realização de eventos em meio ao cenário de instabilidade. Embora tenha evitado opinar diretamente sobre decisões administrativas, Alden afirmou que há inversão de prioridades quando a segurança não está plenamente garantida. “Garantir festa sem garantir segurança plena é inverter prioridades. O primeiro dever do Estado é proteger vidas tanto dos civis quanto dos policiais”, declarou.

Para o deputado, o avanço das facções, a baixa taxa de elucidação de homicídios e a exposição dos policiais a riscos elevados mostram que o controle territorial ainda não foi consolidado. “O governo precisa parar de comunicar força e passar a demonstrá-la com estratégia, inteligência, valorização da tropa e resultados mensuráveis”, defendeu.

Capitão Alden concluiu afirmando que o enfrentamento à violência exige ações concretas, e não discurso político. “Romantizar cenário crítico não protege ninguém. O que protege é a presença efetiva do Estado e prioridade absoluta à vida de quem mora e trabalha nesses territórios”, finalizou.