POLÍTICA


Reforma ministerial à vista: governo Lula terá saída em massa para eleições 

Pelo menos dez chefes de pastas econômicas devem deixar cargos até abril; apenas Trabalho e Gestão têm permanência garantida  

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

Uma série de mudanças deve atingir a Esplanada dos Ministérios nos próximos meses. Pelo menos dez ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsáveis por áreas ligadas à economia, se preparam para deixar os cargos para participar das eleições deste ano. 

Pelas regras da Justiça Eleitoral, ocupantes de funções no Executivo precisam se desincompatibilizar até abril para poder concorrer. Segundo apuração da CNN, somente Luiz Marinho, do Ministério do Trabalho e Emprego, e Esther Dweck, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, têm permanência assegurada até o fim do mandato. 

No núcleo econômico, Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) não devem continuar no governo. Haddad ainda avalia com o presidente se disputará um cargo eletivo ou se atuará apenas na campanha. Já Tebet tende a concorrer ao Senado. 

A área de infraestrutura também deverá sofrer baixas. Renan Filho (Transportes) pretende disputar o governo de Alagoas; Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) deve concorrer ao Senado por Pernambuco; e Jader Filho (Cidades) planeja candidatura à Câmara dos Deputados pelo Pará. 

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ainda não definiu seu futuro político e deve se reunir com Lula nas próximas semanas. Senador eleito em 2022, ele é considerado um aliado importante do governo em Minas Gerais. 

Na área agrícola, Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) deve deixar o cargo para disputar o Senado em Mato Grosso, enquanto Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) pretende concorrer a deputado federal em São Paulo. Há ainda a possibilidade de André de Paula assumir o ministério hoje comandado por Fávaro, abrindo vaga no Ministério da Pesca e Aquicultura, movimento articulado pelo PSD. 

O vice-presidente Geraldo Alckmin, atualmente à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, também prepara saída, mas ainda não definiu qual cargo disputará. O PSB defende a reeleição da chapa presidencial, embora setores do PT cogitem seu nome para uma disputa majoritária em São Paulo. 

Outros ministros também avaliam candidaturas. Márcio França (Empreendedorismo) estuda disputar o governo paulista ou uma vaga no Senado, enquanto Wolney Queiroz (Previdência Social) considera concorrer à Câmara dos Deputados, decisão que ainda depende de conversa com o presidente.