POLÍTICA


PT diz que centrão se alia à extrema direita para ‘sabotar’ Lula e aponta Tarcísio como rosto ‘privatista’

Resolução interna afirma que setores conservadores tensionam o Congresso e veem no governador de São Paulo o principal articulador de uma agenda de redução do Estado

Fotomontagem: Ricardo Stuckert/PR e Marcelo S. Camargo/Governo de São Paulo

A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avalia que o Centrão se aliou à extrema direita no Congresso para “sabotar” o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sigla também vê o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o principal interlocutor do projeto “privatista”. As informações são do Estadão.

A legenda considera que Tarcísio está “transformando São Paulo em laboratório da redução radical do papel do Estado, da entrega de bens públicos e de enfrentamento ideológico ao governo federal”.

Essa avaliação faz parte de uma proposta de resolução política que o PT começará a discutir hoje, sexta-feira (5), na sua Executiva Nacional. O texto será, então, submetido à aprovação do Diretório Nacional amanhã, sábado, na sua reunião de encerramento do ano, em Brasília.

De acordo com a matéria, o texto preliminar foi produzido pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a tendência de Lula, e ainda pode sofrer mudanças.

Mesmo não citando o apelido “centrão”, o plano faz referência ao grupo quando aborda a crise dos últimos dias entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

“A relação entre o Executivo e o Legislativo vive momentos tensos, marcada por contradições profundas e por uma instabilidade produzida deliberadamente pelos setores da extrema direita e conservadores que controlam o Congresso”, diz o documento.

Uma das emendas, que surge como complemento a esse trecho, afirma que tais setores “se apropriam do orçamento do Executivo com extorsão e esvaziam o presidencialismo”.

“A cena de 26 e 27 de novembro simboliza essa crise: em um dia comemoramos a sanção da isenção do Imposto de Renda (para quem ganha até R$ 5 mil), uma conquista histórica para milhões de trabalhadores e trabalhadoras e, no dia seguinte, amargávamos a derrota com a derrubada dos vetos presidenciais no chamado ‘PL da Devastação’, aprovado à revelia do diálogo federativo, da ciência e da proteção ambiental”, menciona o PT sobre as atribuições de Lula.
O conflito entre o petista e o Congresso atingiu o ápice quando o presidente indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se irritou com a decisão e defendeu a nomeação do colega Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

No documento, o PT coloca a disputa pelas cadeiras do Senado como prioridade, “uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de reformas estratégicas”.

O comando do sustento argumenta que, para superar a atual correlação de forças desfavorável no Congresso, todos precisam sair a campo, “particularmente o presidente Lula e seus ministros”, com o objetivo de conquistar votos e aumentar a bancada petista.

Mesmo não dizendo que Tarcísio será o principal adversário de Lula em 2026, o texto do PT não deixa dúvidas sobre isso. A primeira versão afirma que o governador de São Paulo é o “principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista, de inspiração fascista” e que ele “vêm atuando para sabotar políticas do governo Lula, criando obstáculos à ação federativa em áreas estratégicas como segurança pública, infraestrutura, educação e políticas sociais”.

O documento diz que o PT precisa se preparar para enfrentar “tentativas de desestabilização e manipulação digital de larga escala”.

Outro ponto tratado é o avanço do crime organizado, a defesa da criação de um ministério exclusivo para a segurança pública volta à tona. “O Brasil precisa de um Ministério da Segurança Pública e de uma política nacional articulada, com foco em inteligência, combate aos paraísos financeiros do crime organizado, e proteção das comunidades”, constata um dos trechos da proposta de resolução.

O PT avalia que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “recoloca a direita em xeque” e “abre disputas internas por hegemonia”. No entanto, o partido enxerga que, mesmo em crise, o bolsonarismo “segue articulado”, mobilizando “setores importantes da política nacional”.

O Partido dos Trabalhadores irá lançar nesta sexta-feira (5) o 8º Congresso Nacional, que será realizado de 23 a 26 de abril de 2026 com a tarefa de discutir diretrizes do partido e tática eleitoral.