POLÍTICA


PGR foi contra buscas em gabinete de Jaques Wagner e apreensão de joias

Após diligências, o petista deixou o cargo de líder e negou que haja qualquer irregularidade.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra o pedido da Polícia Federal para realizar buscas e apreensões no gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado.

Segundo o portal UOL, Gonet defendeu que as diligências se limitassem à residência e aos escritórios do parlamentar. Para o chefe da PGR, a entrada de agentes no Congresso exige fundamentação reforçada para demonstrar a “relevância ímpar da medida”. “No caso vertente, ao menos neste estágio indiciário, não se vislumbram nos autos dados concretos que atendam ao rigor analítico com que a providência deve ser sopesada”, escreveu.

No parecer, Gonet afirmou que uma “incursão súbita” no Senado representaria “severa ingerência de um Poder na sede de outro”, com potencial para tensionar o “equilíbrio harmônico que deve reger as relações institucionais”. Ele, porém, não se opôs aos pedidos de interceptação telefônica nem ao acesso aos registros de chamadas do senador.

Apesar da manifestação da PGR, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou as buscas. A decisão resultou na operação deflagrada em junho contra o então líder do governo Lula no Senado. Para a Polícia Federal, Jaques Wagner foi o “beneficiário central” de “vantagens econômicas indevidas” concedidas pelo Banco Master. Após o cumprimento dos mandados, o petista deixou a liderança do governo e negou irregularidades.

Gonet também considerou prematuro o pedido da PF para apreender dinheiro em espécie, joias, veículos e outros bens de alto valor. Os investigadores solicitaram autorização para recolher valores superiores a R$ 20 mil, em moeda nacional ou estrangeira, além de itens de luxo.

Na avaliação do procurador-geral, a medida provocaria “estrépito social e mediático prescindível” e extrapolaria a finalidade da operação. “A apreensão de valores e bens de luxo ou de alto valor não se presta a esse intuito que justifica e legitima a providência invasiva. A apreensão requerida se mostra, ainda, prematura, porque a só existência de bens de alto valor nos recintos invadidos não é, por si, crime”, afirmou.

Durante a operação, a PF apreendeu US$ 66 mil (R$ 335 mil) e relógios de Jaques Wagner. Em Brasília, os agentes encontraram US$ 49 mil e os relógios na residência do senador. Em Salvador, apreenderam US$ 16,7 mil, 39 mil euros (R$ 228 mil) e R$ 16,5 mil em espécie.

A investigação apura se o petista atuou para favorecer a chamada “Emenda Master” no Congresso, que teria beneficiado o banco de Daniel Vorcaro. Outra suspeita envolve a transferência de um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões do empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro, para Jaques Wagner.