POLÍTICA


Oposição se irrita com Motta por suspensão das ‘falas para redes’ e faz cobrança pública

Suspensão das breves comunicações na segunda semana de trabalho na Câmara após o recesso irritou os parlamentares

Foto: Reprodução/TV

 

Realizadas na fase inicial das sessões da Câmara dos Deputados, antes das votações, as breves comunicações são o momento em que deputados fazem pronunciamentos políticos de até cinco minutos, sobre os temas que desejarem. As falas costumam gerar cortes que logo vão parar nas redes sociais dos parlamentares.

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, na sessão de quarta-feira (11), 73 deputados se inscreveram para fazer os discursos, também chamados de “Pequeno Expediente”. Na segunda-feira, havia 36 oradores inscritos. Mas todos foram ignorados.

A suspensão das breves comunicações na segunda semana de trabalho na Câmara após o recesso irritou os parlamentares. Na abertura da sessão de terça-feira, que já começou com a chamada Ordem do Dia (fase em que são discutidas e votadas as matérias incluídas na pauta), o novo líder da oposição na Casa, Cabo Gilberto Silva (PL-PB) fez uma cobrança pública sobre a ausência dos discursos.

O deputado apresentou uma questão de ordem e disse estar sendo cobrado pelos pares pela medida, que estava “prejudicando diretamente o Parlamento no quesito parlar, os parlamentares falarem”. Disse representar mais de 100 deputados e que acreditava que os de centro e esquerda também pensam da mesma forma.

Nos bastidores, antes da exposição pública, deputados já demonstravam descontentamento com Hugo Motta.

Charles Fernandes (PSD-BA), que presidia a sessão naquele momento, explicou que as comissões da Casa estavam sendo instaladas e que, assim que passar o Carnaval, as Breves Comunicações serão retomadas normalmente.

A justificativa não convenceu deputados de oposição. Pauderney Avelino (União Brasil-AM) deixou seu protesto registrado, cobrou o cumprimento do Regimento Interno da Casa e manifestou sua “indignação” com a ausência dos discursos.

Carlos Jordy (PL-RJ), por sua vez, citou uma “operação abafa” em torno do caso Master, tanto no STF quanto na Câmara, e disse ser “inacreditável” que a Câmara não tenha aberto o espaço para as Breves Comunicações.