POLÍTICA


Jerônimo: ‘Estado não pode ser matador nem se comparar ao crime organizado’

Governador afirmou que não gosta de comprar armas, mas defendeu as operações policiais no enfrentamento a facções

O secretário de Segurança Marcelo Werner, o governador Jerônimo Rodrigues e o vice-governador Geraldo Júnior – Foto: Joá Souza/GOVBA

 

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou em entrevista à Veja que o Estado não pode ser “matador” nem deve agir tal qual o crime organizado no enfrentamento a facções criminosas. A declaração foi dada ao ser questionado sobre o fato de a Bahia ter a polícia que mais mata no país.

Em 2025, foram registradas 1.490 mortes decorrentes de intervenções policiais mais do que a soma de São Paulo e Rio de Janeiro (1428), conforme destacou a publicação.

“O Estado não pode ser um Estado matador, nem se comparar à prática do crime organizado. Nosso conceito de Estado é o de protetor da sociedade. Temos que fazer uma ação intensiva para que o crime organizado não tenha trégua. E trabalhar forte para promover uma correição nas polícias, fortalecendo as corregedorias e as ouvidorias”, disse Jerônimo.

O chefe do Executivo baiano afirmou ser a favor da tese de que “bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, para que ele possa ser julgado e, uma vez condenado, pague a pena e viva em um ambiente de ressocialização”.

“A mensagem que meu governo pode dar é a de que estamos investindo para melhorar esses indicadores.”

Entre ações adotadas para reduzir a letalidade policial, mencionou a ampliação do uso de câmeras nas fardas acopladas às fardas dos agentes medida adotada a partir de maio de 2024.

“Fizemos há alguns meses o lançamento do Bahia pela Paz, um programa para a formação diferenciada de policiais, que envolve Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, órgãos de direitos humanos, universidades e estudiosos. Outra medida é a ampliação do uso de câmeras nas fardas para proteger o profissional da segurança pública e a comunidade. O agente é um servidor público, tem a obrigação de prestar contas dos seus atos à sociedade. Há, enfim, a construção de uma cultura para que as polícias militar e civil tenham responsabilidades adequadas para reduzir não digo zerar a taxa de letalidade”, disse o governador.

Jerônimo também voltou a defender as operações policiais entre as estratégias de combate à violência, mas disse não gostar de comprar armas, em vez de construir mais teatros, escolas e creches.

“Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O estado também precisa ter para enfrentá-lo. Isso não cria no governador, no campo da esquerda, qualquer tipo de preconceito”, afirmou.