POLÍTICA


Ministro do Turismo transferiu empresas avaliadas em R$ 400 mil para ex-assessora do pai na PB, diz colunista

Soraya Rouse Santos Araújo ganhava dois salário mínimos por mês e, agora, se tornou dona de três empresas que eram de Gustavo Feliciano

Foto: Reprodução

 

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (UB), transferiu a propriedade de três empresas das quais era dono para uma ex-assessora parlamentar de seu pai, apontada como pessoa de confiança da família. As operações ocorreram em dezembro do ano passado, mês em que Feliciano assumiu o comando da pasta. A informação é da coluna Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

De acordo com a publicação, a beneficiária das transferências é Soraya Rouse Santos Araújo, de 43 anos, que até recentemente recebia pouco mais de dois salários mínimos como assessora parlamentar. Moradora de uma residência simples em João Pessoa, ela acumula dívidas, incluindo débitos de IPTU, e dificuldades financeiras registradas na Justiça. Ainda assim, passou a figurar como sócia-administradora de três empresas com capital social somado de R$ 400 mil, entre elas uma instituição de ensino superior e duas construtoras que juntas devem mais de R$ 500 mil à União.

Foram repassadas a União de Ensino Superior da Paraíba Ltda (UniPB), a Sunset Business e a GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários Ltda. As duas construtoras tiveram suas cotas transferidas mediante declaração de venda no valor de R$ 100 mil cada, conforme registros na Junta Comercial da Paraíba (Jucep-PB).

Documentos obtidos pela coluna indicam indícios de que as empresas seguem vinculadas ao ministro. Os endereços informados à Receita Federal não apresentam atividade empresarial visível, não há sites ou redes sociais institucionais ativos e, mesmo após a suposta venda, os cadastros mantêm e-mails pessoais de Gustavo Feliciano.

No caso da UniPB, a documentação não esclarece se houve pagamento pela cessão das 200 mil cotas ou apenas a transferência formal da empresa. O contrato registra que “o sócio cedente declara ter recebido todos os seus direitos e haveres nada tendo a reclamar no futuro seja a que título for”.

A instituição de ensino é mantenedora da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Natal (Faciten) e recebeu mais de R$ 5,2 milhões em recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) entre 2014 e 2021. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a UniPB acumula dívida superior a R$ 333,9 mil com a União. A Faciten perdeu o credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC) no fim do ano passado e mantém redes sociais desatualizadas desde 2019.

Relação com a família Feliciano

Soraya Rouse é considerada próxima do núcleo familiar de Gustavo Feliciano. No fim de 2023, ela recebeu procurações tanto do deputado federal Damião Feliciano (UB), pai do ministro, quanto de Renato Feliciano, irmão de Gustavo e secretário estadual na Paraíba. Os documentos concedem poderes para representações junto à Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e a órgãos de trânsito.

No entanto, o que chama atenção é o fato de Soraya se declarar profissional autônoma ao assinar os documentos, apesar de já exercer o cargo de secretária parlamentar havia mais de um ano. Natural de Campina Grande, ela integra o diretório estadual do União Brasil como suplente desde maio de 2023, partido que também conta com integrantes da família Feliciano em cargos de direção.

Registros no Tribunal de Justiça da Paraíba apontam que Soraya responde a ações relacionadas a dívidas pessoais, como cobrança de IPTU, financiamento de veículo e débito com comércio local, traçando um perfil financeiro incompatível com a administração de empresas de médio porte.

Gustavo Feliciano, Soraya Rouse, Damião Feliciano e Renato Feliciano foram procurados pela coluna, mas não se manifestaram até a publicação da reportagem. O Ministério do Turismo também não respondeu.