POLÍTICA


Lula critica postura de Trump e diz que presidente dos EUA quer ser ‘dono da ONU’

Declaração foi feita durante evento do MST em Salvador, na primeira visita do presidente à capital baiana em 2026

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Durante visita a Salvador nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a atuação internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após já ter afirmado que o americano queria “comandar o planeta pelas redes sociais”, Lula declarou agora que Trump pretende ser “dono da ONU [Organização das Nações Unidas]”.

A fala ocorreu durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado no Parque de Exposições. Essa foi a primeira vez que o petista esteve na capital baiana neste ano.

Ao comentar o cenário internacional, Lula afirmou: “O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU. Então, o que nós precisamos é ter em ponto a fragilidade política dos partidos do mundo hoje”.

Na sequência, o presidente revelou que tem buscado articulação com outros líderes mundiais para fortalecer o multilateralismo. “Eu estou, há uma semana, telefonando pra todos os países do mundo. Já falei com muitos países. Já falei com a segunda mais importante, com [Vladimir] Putin, já falei com Xi Jinping, já falei com o primeiro ministro da Índia, com o presidente da Hungria, com a Claudia [Sheinbaum], do México. Tentando ver se é possível que a gente possa encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado pro chão pra que predomine a força da arma”, disse.

Lula também comentou o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde o presidente americano apresentou seu Conselho de Paz. “Toda vez que o presidente Trump fala na televisão, ele fala: ‘eu tenho o exército mais forte do mundo; eu tenho os melhores aviões do mundo; eu tenho os navios mais fortes do mundo’. Ele, agora, falou em Davos: ‘eu tenho armas que vocês nem sabe o poder dessa arma'”, relatou.

Ao abordar o poder militar brasileiro, Lula afirmou que o país não tem condições de entrar em disputas armadas. “Eu não tenho nada. Eu tenho o Exército, a Marinha e a Aeronáutica que, muitas vezes, nem dinheiro tem para comprar bala para treinar. Então, eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer com a China, não quero fazer com a Rússia, nem com o Uruguai nem com a Bolívia. Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas”, completou.