POLÍTICA


Lídice classifica renúncia de Zambelli como ‘manobra da defesa’ para evitar cassação

Deputada afirma que Carla Zambelli segue inelegível, critica atuação da oposição na votação e destaca a gravidade das acusações contra a parlamentar do PL

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) falou sobre o pedido de renúncia de Carla Zambelli (PL-SP) da Câmara, interpretando a medida como uma “manobra da defesa” para evitar as consequências de uma eventual cassação.

“Eu recebi a informação achando que finalmente alguém fez uma coisa certa. Ela não tinha nenhuma condição mais de cumprir o mandato […] É uma tentativa, uma manobra da defesa para não caracterizar a cassação dela, para poder impedir que alguma avaliação sobre a cassação levasse à inelegibilidade. Eu acho que ela continua inelegível, ela foi condenada e fugiu, o que agrava a situação dela e está presa. Nenhuma condição dela de exercer o mandato”, declarou Lídice da Mata ao MundoBA, durante visita técnica às obras de macrodrenagem do Canal Mangabeira, em Salvador.

A parlamentar também fez referência à recente votação no Plenário da Câmara que não alcançou os votos necessários (257 votos) para cassar o mandato de Zambelli, apesar de a maioria dos votos ter sido favorável à punição.

“Então, mesmo nesta circunstância, o voto majoritário da Câmara era por sua cassação”, disse Lídice, criticando o que chamou de “trabalho da oposição” em retirar votos e reduzir o número de parlamentares presentes na votação.

A deputada também falou sobre a gravidade das acusações que pesam contra Zambelli, citando o episódio em que a deputada foi flagrada correndo com uma arma em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, e seu envolvimento com o hacker Walter Delgatti Neto na invasão de sistemas do CNJ.

“O Brasil todo acompanhou as imagens de Carla Zambelli com a arma na mão, correndo atrás de uma pessoa em São Paulo, um crime que não se pode negar que aconteceu,” afirmou.

Lídice se mostrou preocupada com o histórico de punições recentes na Câmara dos Deputados, afirmando haver um “desajuste” entre os parlamentares.

“Eu não fico contente de cassar um deputado, nem de punir deputados. Acho que o número de pessoas punidas na Câmara pelo Conselho de Ética deve ter sido recorde em relação a muitos mandatos. E isso é grave, mostra que a Câmara está desajustada em relação ao comportamento que é natural ter enquanto deputados eleitos”, argumentou a parlamentar.