POLÍTICA


Líder do PL, Carlos Bolsonaro e Nikolas reagem à transferência de ex-presidente para ‘Papudinha’

Decisão do ministro Alexandre de Moraes foi tomada nesta quinta-feira (15); Jair Bolsonaro já foi transferido

Foto: Marcos Corrêa/PR

 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, provocou reações de parlamentares da oposição nesta quinta-feira (15). Apesar de avaliações diferentes sobre as condições do novo local de custódia, houve convergência na defesa da prisão domiciliar e em críticas ao STF e ao próprio ministro.

O vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, classificou a medida como um “marco simbólico do confronto institucional”. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a transferência, somada ao que chamou de “aberrações jurídicas” e ao estado de saúde do pai, extrapola o cumprimento de uma decisão judicial. “Transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro e alcança o próprio conceito de justiça, proporcionalidade e Estado de Direito no Brasil”, escreveu.

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, também criticou a decisão e afirmou que a transferência representa “punição política”. “A transferência de um ex-presidente para penitenciária, por decisão isolada, é punição política, vingança travestida de legalidade e demonstração de força de quem já não reconhece limites”, declarou.

Já o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), reconheceu que a Papudinha oferece estrutura mais ampla do que a cela ocupada anteriormente por Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, mas afirmou que a medida configura abuso. Segundo ele, o ex-presidente deveria cumprir prisão domiciliar. “Por mais que a nova prisão seja mais ampla que a atual, com idade e comorbidades que tem, Bolsonaro deveria estar em prisão domiciliar”, disse, acrescentando que eventuais danos à saúde do ex-presidente seriam de responsabilidade do ministro.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que, “aparentemente”, o novo espaço apresenta melhores condições, como menos ruído e atendimento médico 24 horas. “Vou apurar com a família se essas condições de fato são melhores. Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo pra casa? Enfim, tudo isso por um crime que ele nunca cometeu e deveria estar livre”, escreveu.

Também houve reação do líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL), que afirmou que o STF “ultrapassou os limites”. Para ele, a transferência do ex-presidente para a Papudinha representa “abuso de poder” e “autoritarismo”, ao concentrar, segundo ele, acusação, julgamento e prisão em uma única autoridade.