POLÍTICA


Jerônimo autoriza venda de ações da Bahiagás um dia após ser reeleito

Medida busca captar recursos para expandir a rede; sindicato critica operação

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) autorizou venda de ações minoritárias da Bahiagás e a ampliação da participação do setor privado na companhia responsável pela distribuição de gás natural canalizado no estado.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a medida foi adotada por meio de decreto publicado na segunda-feira (5), um dia após ter sido reeleito para comandar o estado elos próximos quatro anos. Sindicatos de trabalhadores e setores da esquerda criticaram a medida.

Em nota, o governo da Bahia afirmou que a empresa seguirá como uma sociedade de economia mista com controle estatal. Também serão preservados o contrato de concessão, as regras tarifárias, as obrigações de expansão da empresa.

Segundo a Folha, a venda de ações da Bahiagás acontece quatro anos depois de o governo baiano ampliar a participação do estado na companhia. Em julho de 2022, ainda na gestão Rui Costa (PT), o governo adquiriu a fatia da empresa que pertencia à Gaspetro, ampliando a participação nas ações de 51% para 75,5%.

A outra acionista é Mitsui, que detém 24,5% das ações ordinárias e preferência na aquisição das ações que forem colocadas à venda pelo governo baiano.

O governo baiano informou que a venda de uma participação minoritária pretende atrair investimentos privados para ampliar a infraestrutura de distribuição de gás natural na Bahia.

Em nota, a companhia afirmou que seguirá executando seu planejamento de expansão, com foco na ampliação da infraestrutura, universalização e interiorização do gás natural, diversificação energética e desenvolvimento de novos mercados.

O Sindiquímica Bahia criticou a medida, sindicato que representa trabalhadores do setor. A entidade afirmou que a operação reduz a participação pública em uma empresa que considera estratégica e questionou a decisão de vender ações depois de o Estado ter ampliado sua fatia na companhia.

A reportagem diz que a entidade também pede a revogação de uma lei estadual de 1997 que permite ao Executivo promover a desestatização da companhia sem uma nova autorização da Assembleia baiana. Para o Sindiquímica, a alienação de ações abre caminho para uma redução da participação pública na empresa.