POLÍTICA


Em CPI, fundador da Esh Capital aponta Tanure como controlador do Banco Master

Declaração foi feita por Vladimir Timerman, que também questionou papel de Vorcaro no banco

Foto: Divulgação

 

O fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, afirmou nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que o empresário Nelson Tanure seria o verdadeiro controlador do Banco Master. Segundo ele, há elementos que sustentariam essa avaliação, embora o suposto vínculo societário não tenha sido confirmado por órgãos reguladores.

“Outra questão de que muito se fala sobre a suspeita de que o Sr. Nelson Tanure é o dono do Banco Master. Eu juntei três elementos para mostrar que esse é o caso. Se deu muita atenção às mensagens que foram vazadas do senhor Daniel Vorcaro. Fiz um exercício de procurar as datas em que questões importantes em relação ao banco, movimentações importantes e dívidas supostamente assumidas de Daniel Vorcaro, na monta de R$ 3 bilhões, para ver se tinha alguma menção a isso com a namorada dele. Muito me surpreendeu que não tinha, não tinha uma única menção”, declarou.

Durante a oitiva, Timerman também declarou que Daniel Vorcaro teria atuado como representante do banco em interlocuções políticas, sem participação direta nas decisões estratégicas. “Meu sentimento é de que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara, para fazer as conexões políticas. Eu consigo mostrar a estrutura, caso os senhores desejem, de como que o Tanure, quais são os elementos que mostram que o Sr. Nelson Tanure seria o dono do banco [Master]. Tem que se entender que essa questão é muito maior do que o banco em si”.

As afirmações foram apresentadas no contexto das investigações conduzidas pela comissão sobre a atuação de grupos econômicos e possíveis conexões com práticas ilícitas.

O depoente citou análises próprias e episódios do mercado, como a disputa envolvendo a Gafisa, para sustentar sua interpretação sobre a estrutura do banco. Questionado por parlamentares sobre a falta de comprovação formal, ele afirmou que apresentaria elementos que, segundo sua avaliação, indicariam a influência de Tanure.

Timerman participou da audiência na condição de testemunha e, portanto, sob compromisso de dizer a verdade. Procurado, Nelson Tanure não se manifestou até a publicação da reportagem.