POLÍTICA


Deputado vê risco de crime organizado ganhar espaço no Congresso com voto distrital misto

Deputado baiano afirma que facções e milícias podem usar o domínio de territórios para pressionar eleitores e favorecer candidatos

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O deputado federal João Carlos Bacelar (PV-BA) disse que a criação do voto distrital misto no Brasil pode fazer com que facções criminosas e milícias elejam parlamentares no Congresso brasileiro.

O parlamentar baiano afirmou que as organizações criminosas têm forte atuação e poder de influência em diversas regiões do país, o que, segundo ele, pode ser utilizado para intimidar eleitores, impedir campanhas adversárias e favorecer candidatos alinhados aos interesses desses grupos.

“Quem controla o território pode tentar controlar o voto. Não podemos correr o risco de transformar áreas dominadas por facções e milícias em distritos eleitorais submetidos à influência do crime organizado. Seria permitir que o poder das armas avançasse sobre o poder das urnas”, afirma Bacelar.

Ainda segundo Bacelar, a divisão do território em distritos menores facilitaria a fiscalização dos mandatos e aproximaria representantes da população.

“Como falar em fiscalização do mandato onde o morador tem medo de denunciar e o eleitor está sujeito à pressão de grupos armados? Não existe representação legítima quando a escolha é condicionada pelo medo”, declarou.

“A reforma política não pode ser discutida como se o Brasil não tivesse territórios submetidos ao poder de facções e milícias. O crime organizado pode buscar não apenas o controle das comunidades, mas também influência sobre as decisões do Estado. Nossa obrigação é impedir que encontre nas regras eleitorais um caminho para chegar às instituições. A democracia não pode se tornar extensão do território de nenhuma facção”, disse o deputado.