POLÍTICA


Deputado reage e cobra transparência nos empréstimos da Bahia

Tiago Correia afirma que Estado já ultrapassou limites prudenciais, critica falta de planejamento e acusa gestão de transformar problema de gestão em narrativa política

Foto: Divulgação/Alba

 

O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, Tiago Correia (PSDB) rebateu, nesta quinta-feira (27), as declarações do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), que acusou a oposição de promover “ataques infundados” para barrar novos empréstimos solicitados pela gestão Jerônimo Rodrigues. Em entrevista ao MundoBA, Correia afirma que o discurso governista tenta “inverter a realidade” ao ignorar a dimensão do endividamento estadual. 

“A oposição não aceita a tentativa de inverter a realidade. Ataque infundado é pedir sucessivos empréstimos, já são mais de vinte, sem apresentar planejamento, cronograma, impacto fiscal, capacidade de endividamento e, principalmente, os resultados concretos das dívidas anteriores”, afirmou.

Segundo ele, a oposição age justamente no sentido oposto ao que o governo sugere: “A nossa atuação é exatamente o contrário do que o líder do governo tenta insinuar: é responsabilidade fiscal, zelo pelo dinheiro público e defesa da transparência”.

Correia nega que haja tentativa de travar investimentos e aponta falta de clareza na aplicação dos recursos. “Não estamos travando investimento algum. O que trava investimento é o governo que esconde informações, que não comprova a execução dos recursos já tomados e que tenta empurrar novos créditos sem debate técnico, muitas vezes por meio de manobras regimentais. Investir não é sinônimo de endividar o Estado de forma ilimitada. Investir é planejar, executar, prestar contas e mostrar retornos sociais mensuráveis”.

O parlamentar ainda afirma que a situação já ultrapassa limites prudenciais. “A dívida cresce a uma velocidade sem precedentes, e o governo não apresenta avaliação de impacto desses empréstimos sobre as finanças futuras, o que fere os princípios de responsabilidade fiscal e de transparência previstos na Constituição e na LRF”, criticou.

Diante do cenário, Correia defende que os órgãos de controle avaliem a legalidade e a eficiência dos sucessivos pedidos de crédito. “Isso é zelo institucional, não é obstrução”, destacou.

Ao final, o deputado reforçou que não aceita a tentativa do governo de rotular a cobrança por transparência como falta de discurso. “Responsabilidade fiscal não é falta de discurso, é dever constitucional. Quem age por descompromisso é quem tenta contrair mais dívidas sem antes explicar onde foram parar as anteriores”.