POLÍTICA


Deputado José Rocha envia R$ 1 milhão em emenda para estátua, diz coluna

Parlamentar que denunciou orçamento secreto enviou valor para construir estátua em região não habitada

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

 

O deputado federal baiano José Rocha (União Brasil) destinou R$ 1 milhão do orçamento secreto para a construção de uma estátua gigante no seu reduto eleitoral, uma cidade de 14 mil habitantes no sertão da Bahia. A Informação é da coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles.

Segundo a publicação, a escultura, cujo formato ainda não foi definido, tem como objetivo “criar um marco físico” para o município de Coribe, que, nas palavras do próprio deputado, seria comparável ao Cristo Redentor do Rio de Janeiro.

Perguntado se o valor não era exorbitante diante das prioridades do município, cujo IDH é semelhante a países como o Zimbábue, no sudoeste da África, José Rocha disse à coluna: “E quanto você acha que custou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro?”. Segundo ele, a estátua irá levar turistas de todo país para a cidade que fica a 900 km de Salvador.

Com cerca de 14 mil habitantes, Coribe já teve como prefeitos o pai e o filho de Rocha, e hoje é administrada por um primo do parlamentar.

Imagens do local previstas para a instalação mostram que a obra deve ser erguida em uma área afastada da cidade, na bifurcação de duas rodovias (ver abaixo). A região não é habitada e seria transformada em um parque urbano.

O cronograma prevê que o monumento seja concluído até o fim de 2026, mas o processo licitatório para iniciar a obra ainda não foi aberto.

Além do repasse de R$ 1 milhão proveniente de recursos da Comissão de Turismo para a estátua, Rocha já havia direcionado mais de R$ 26,9 milhões também do orçamento secreto para Coribe.

O deputado denunciou colegas da Câmara pelo mecanismo de distribuição do orçamento secreto. A verba era repartida de acordo com decisão de líderes partidários.

Contrariado em sua demanda, José Rocha procurou o ministro do Supremo Flávio Dino para acusar o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), de beneficiar Alagoas. Dino respondeu que não poderia prevaricar e abriu investigação sobre o mecanismo.