POLÍTICA


Deputado critica transferência simbólica da capital federal para Salvador: ‘Há tanta coisa importante para discutir’

Câmara aprovou proposta que transfere simbolicamente a capital do país para a capital baiana no dia 2 de julho

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

 

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (10), um projeto que estabelece a transferência simbólica da capital federal para Salvador no dia 2 de julho. A proposta busca reconhecer nacionalmente o papel da Bahia no processo de independência do Brasil, consolidado na data em 1823.

O texto é de autoria do deputado baiano Leo Prates (PDT) e teve relatoria do também baiano Gabriel Nunes (PSD). Apesar da aprovação, a proposta enfrentou resistência no plenário.

Durante a discussão, o deputado Kim Kataguiri (Missão) subiu à tribuna para criticar o fato de o Parlamento estar debatendo o tema. Segundo ele, a Câmara deveria priorizar outras pautas consideradas mais urgentes para a população.

“Agora é para Salvador, salvo engano, mas pode ser para qualquer cidade, por qualquer razão, em qualquer ocasião. Gente, olhem o que nós estamos discutindo: transferir simbolicamente a capital federal para um lugar. Há tanta coisa importante para a gente discutir aqui”, disse Kataguiri.

O parlamentar afirmou ainda que não tentaria obstruir a votação, mas que considerava necessário registrar seu posicionamento contrário.

“Eu não vou obstruir, eu não vou apresentar requerimento para tirar de pauta, eu não vou pedir votação nominal, eu não vou pedir nada. Eu sei que vou ser derrotado. Eu sei que tem maioria. Eu só preciso marcar a minha posição, pois acho um escárnio com a população brasileira esse gasto. Olhem só, um deputado tem um salário de 46 mil reais, com 40 mil reais de cota parlamentar, cento e tantos mil de verba de gabinete. E vamos discutir a transferência simbólica da capital federal para uma cidade?”, questionou Kataguiri.

Com a aprovação, todos os atos institucionais dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ocorrerão em Salvador nesse dia, sem prejuízo das atividades essenciais mantidas em Brasília.

A logística e a segurança serão definidas pelo Executivo em cooperação com autoridades estaduais e municipais.