POLÍTICA


Deputada recém-eleita do PL é alvo do Ministério Público após associar indígenas a canibalismo

Representações do PSol denunciaram falas inconstitucionais de Eduarda Campopiano nas redes sociais

Foto: Reprodução/Instagram

A Deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL) e a deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) acionaram o Ministério Público contra a vereadora de Praia Grande e deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL).As petições questionam declarações sobre povos originários e manifestações direcionadas à deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL).

A assessoria jurídica de Guajajara formaliza uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) com foco em declarações de Campopiano no podcast RedCast, gravado em maio. Na ocasião, a vereadora associou povos indígenas ao canibalismo e à violência contra crianças, além de cobrar providências relativas ao boletim de ocorrência registrado pela rapper Katú Mirim.

Na gravação, Eduarda declarou: “Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…”. Guajajara classificou as falas como discriminatórias e ofensivas, e destacou que “o exercício de cargo público exige respeito à diversidade, à liberdade religiosa e aos direitos das minorias”.

Em outra frente, Sofia Fervero apresentou ao Ministério público de São Paulo (MP-SP) nessa última segunda-feira (5) após publicações de Campopiano na rede X (antigo Twitter). Na postagem, a vereadora chamou Hilton de “homem biológico” e indagou como seria para a adversária “saber que nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo”.

A petição protocolada no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância aponta transfobia e violência política de gênero na mensagem, que obteve mais de 3 milhões de visualizações. “Nela, há o nítido desrespeito à identidade de gênero de Erika Hilton e a tentativa de submetê-la ao escárnio, à humilhação e à violência dos seguidores da vereadora”, cita o texto.

Favero solicita a instauração de inquérito policial e afirma que a publicação extrapola a “liberdade de expressão e configura manifestação discriminatória dirigida a Erika Hilton”. Ao ser consultada sobre o episódio, Hilton declarou que a colega de partido já tratava do caso.

Autointitulada “a maior inimiga das feministas de São Paulo” nas redes sociais, Eduarda Campopiano, de 23 anos, obteve 1.956.238 votos no domingo (4) e conquistou a maior votação para a Assembleia Legislativa paulista. No mesmo domingo (4), Hilton alcançou 1,5 milhão de votos para a Câmara dos Deputados, marca que a consolidou como a mulher mais votada da história do país para o cargo. No site oficial do Tribunal Superior Eleitoral, Eduarda não apresenta nenhuma proposta para os 4 anos de mandato.