POLÍTICA


Decreto da Prefeitura de Salvador deu exclusividade ao Master em crédito para servidores, diz site

Gestão de Bruno Reis (União Brasil) afirma que modelo é regular e usado por outros órgãos

Foto: Lucas Moura/Secom/Prefeitura de Salvador

 

A Prefeitura de Salvador garantiu exclusividade para o Banco Master oferecer “crédito no cartão rotativo” para servidores públicos por meio de um decreto de 2021. As informações são da colunista Mariana Barbosa, do portal UOL.

O decreto 33.502, de 4 de fevereiro de 2021, foi publicado logo no início do primeiro mandato do atual prefeito Bruno Reis (União Brasil) e assegurou exclusividade em 10% da margem consignável para o Credcesta numa categoria de produto designada como “linha de crédito rotativo”.

Essa categoria de crédito é originária da Bahia e não aparece no decreto que define as consignações a nível federal: crédito normal, cartão consignado e cartão benefício.

Em nota, a Prefeitura de Salvador informou que o modelo adotado é “amplamente usado por outras instituições públicas”. “A gestão municipal ressalta que não há qualquer irregularidade nos atos citados, visto que tiveram o crivo de órgãos de controle, e que seguiu todas as normas que tratam do assunto”, disse.

ACM Neto e Banco Master

Ainda nesta semana, foi divulgado pelo jornal O Globo que dados do Coaf apontam que o ex-prefeito da capital baiana, ACM Neto (União Brasil), recebeu R$ 3,77 milhões do Banco Master e da gestora Reag.

O dinheiro foi pago à A&M Consultoria, empresa de consultoria de Neto. O ex-prefeito de Salvador afirmou que realizou trabalhos de consultoria quando não mais exercia cargo público. Ele diz que os serviços prestados por ele não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação. Estou totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado”, afirmou em nota.

Leia abaixo a íntegra da nota de ACM Neto:

“No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes.

Importante destacar que, no período do contrato, não existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado. Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação.

Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados.

Estou totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado. De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento.”