POLÍTICA


Daniel rechaça contrapartida a empresas e compara críticas à PEC 6×1 à defesa da ‘escravidão’

Deputado diz ser preciso buscar adaptação à redução da jornada de trabalho porque processo faz parte da evolução tecnológica

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) afirmou nesta quinta-feira (9) ser contra a criação de uma contrapartida dada a empresas pelo possível fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho e um de descanso. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) está em tramitação na Câmara e deve ser votada em maio.

“Eu acho que não há razão para contrapartida. Eu acho que todos devem buscar se adaptar a esta redução da jornada de trabalho, porque isso faz parte de um movimento natural da evolução tecnológica e das necessidades que os cidadãos têm de se qualificar, de se atualizar tecnicamente e também da cobrança cada vez maior da convivência social e familiar”, disse Daniel, em conversa com jornalistas durante uma agenda com governador Jerônimo Rodrigues (PT) no Largo de Roma, em Salvador.

O parlamentar rechaçou o argumento de que haverá impacto na economia caso o texto seja aprovado no Congresso e comparou a tese às justificativas usadas durante a escravidão no Brasil. “Isso faz parte da evolução natural dos tempos. Quando havia trabalho escravo, diziam que o fim da escravidão faria a economia parar, o que não se confirmou. Ao contrário, o impacto foi positivo.”

A ideia de uma contrapartida é defendida pelo relator da PEC, Paulo Azi (União Brasil-BA), que cobrou uma contribuição do governo Lula para solucionar o impasse sobre os custos para as empresas.

“Quando o Getúlio Vargas fez a CLT com direitos trabalhistas, diziam que a economia do Brasil ia estagnar. Teve resistência, mas tudo melhorou para a economia e para a vida do povo. Quando veio a Constituição de 88, que reduziu de 48 para 44 [horas], eles diziam a mesma coisa. O que é que aconteceu? Benefícios”, defendeu Daniel.