POLÍTICA


CPI aprova quebra de sigilos de ex-ministro de Bolsonaro ligado a esquema no INSS

Comissão mira Ahmed Mohamad Oliveira, apontado pela PF como peça-chave em descontos irregulares que beneficiaram a Conafer

Foto: Assessoria/Presidência da República

 

A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro do Trabalho no governo de Jair Bolsonaro (PL), Ahmed Mohamad Oliveira. A Polícia Federal considera ele um pilar institucional no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, utilizadas para beneficiar a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

O requerimento apresentado pelo senador Humberto Costa (PT) argumenta que a quebra de sigilos de Oliveira pode revelar a “existência de fluxos financeiros irregulares”.

“Elementos reunidos no âmbito da Operação Carbono Oculto indicam a possível utilização de estruturas do mercado financeiro — em especial aquelas vinculadas à REAG Investimentos e ao Banco Master — como mecanismos aptos a conferir aparência de legalidade a recursos de origem ilícita”, afirmou o petista no documento.

O ex-ministro se chamava José Carlos Oliveira, porém, mudou de nome para Ahmed Mohamad após deixar o governo Bolsonaro e converter-se ao islamismo. Ele foi presidente do INSS entre novembro de 2021 e março de 2022, após isso, se tornou ministro do Trabalho e Previdência até o final da gestão do ex-presidente.

Investigações da Polícia Federal apontaram que o ex-ministro atuou, como diretor de Benefícios do INSS e como ministro, para a liberação de valores sem comprovação das filiações associativas.

Essas liberações resultaram em repasses de R$ 15,3 milhões para a Conafer, que teria recebido, no total, R$ 640 milhões em descontos ilegais entre 2017 e 2023.