POLÍTICA


Ciro Nogueira diz que Lula ‘é mandado’ e Janja ‘passou de todos os limites’

Em entrevista, senador criticou governo, vê falta de credibilidade em Lula e defendeu ex-presidente Bolsonaro

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) criticou a atuação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja), afirmando que ela “ultrapassou todos os limites” e estaria influenciando excessivamente as decisões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à revista IstoÉ, o parlamentar destacou que a atuação de Janja estaria prejudicando a imagem do governo, além de causar constrangimentos diplomáticos.

“Algumas situações constrangeram o país, a nossa diplomacia e o próprio presidente, que foi desmentido publicamente pela primeira-dama”, disse o senador, ao comentar recentes episódios envolvendo Janja, como sua fala direcionada ao presidente da China, Xi Jinping, sobre o suposto favorecimento de conteúdos de direita no TikTok.

O episódio teria gerado desconforto durante um jantar oficial e, segundo Ciro, expõe a interferência da primeira-dama em assuntos de Estado. Ele também mencionou falas polêmicas anteriores de Janja, inclusive críticas públicas ao bilionário Elon Musk, CEO da plataforma X (antigo Twitter).

Ciro reforçou que a imagem de Lula como um presidente “mandado” tem impactado negativamente sua popularidade. “O Brasil elegeu o Lula, não foi a Janja. […] Essa imagem de que ele não tem autonomia tem prejudicado a autoridade de um presidente da República”, afirmou.

Além disso, o senador defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das críticas por não ter passado a faixa presidencial a Lula em 2023, alegando que o gesto não se concretizou devido ao ambiente de polarização política. “Duvido que Lula entregaria a faixa para a família Bolsonaro”, provocou.

Sobre as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem Bolsonaro e ex-ministros em um suposto plano de golpe de Estado, Ciro Nogueira — que foi ministro da Casa Civil no governo anterior — negou qualquer conhecimento sobre articulações golpistas e afirmou que, se houvesse tal intenção, ele teria sido informado.

“Se o Bolsonaro tivesse vontade de dar um golpe, o momento era durante a greve dos caminhoneiros após as eleições. E ele não fez”, declarou.