POLÍTICA


Caso Master: Lula demonstra incômodo com atuação de Toffoli e diz a aliados que ministro deveria sair do STF

Apesar da insatisfação, interlocutores não acreditam que ex-presidente deve formalizar qualquer pedido para que ministro deixe relatoria ou cargo

Foto: Rosinei Coutinho/STF e Fernando Frazão/Agência Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado incômodo com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito que investiga possíveis irregularidades no Banco Master. A informação é da Folha de S.Paulo após relatos de auxiliares do Palácio do Planalto.

De acordo com a apuração, Lula acompanha de perto o andamento da investigação e, nos últimos dias, passou a sinalizar que não pretende assumir a defesa pública do magistrado diante das críticas que envolvem o caso.

Ainda segundo a reportagem, em conversas reservadas com auxiliares próximos, o presidente chegou a mencionar a possibilidade de Toffoli deixar o STF, seja por meio de renúncia ou aposentadoria. As declarações teriam ocorrido em tom de desabafo, diante da avaliação de que o episódio amplia a exposição negativa da Corte e gera desgaste político para o governo.

Apesar da insatisfação, integrantes do Planalto consideram improvável que Lula formalize qualquer pedido para que o ministro se afaste da relatoria ou do cargo.

Mesmo assim, o presidente indicou a interlocutores que pretende voltar a tratar do tema diretamente com Toffoli, retomando uma conversa iniciada no fim do ano passado. Na ocasião, Lula teria defendido que todas as apurações fossem levadas até o fim e buscado garantias de que o tribunal manteria esse compromisso, apesar do sigilo imposto ao processo.

Entre os pontos que mais incomodaram o presidente estão o nível elevado de sigilo do inquérito e reportagens que apontaram relações de familiares do ministro com estruturas financeiras ligadas ao Banco Master. Nos bastidores, Lula manifestou preocupação com a possibilidade de a investigação perder força ou ser encerrada sem responsabilizações.

Segundo avaliações internas relatadas à Folha, o inquérito tem potencial para atingir figuras políticas de diferentes espectros, incluindo partidos de oposição e aliados do próprio governo. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém relações com integrantes do centrão e também com lideranças petistas na Bahia, o que aumenta a sensibilidade do caso no cenário político.

Nos últimos dias, novas informações vieram a público e ampliaram a pressão sobre Toffoli. O ministro, por sua vez, tem afirmado a interlocutores que não vê motivos para se declarar impedido ou suspeito. Ele sustenta que episódios como uma viagem em avião particular com advogado ligado ao processo e negócios envolvendo familiares não comprometem sua imparcialidade.