POLÍTICA


Bahia recusa projeto do governo federal para desocupação de áreas dominadas por facções

Governador Jerônimo Rodrigues (PT) não se convenceu da efetividade da proposta do Ministério da Justiça

Foto: Thuane Maria/Gov-BA

 

O governo da Bahia, sob liderança de Jerônimo Rodrigues (PT), decidiu não participar do projeto-piloto de desocupação de áreas controladas por facções criminosas, uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apesar de ter reduzido o número de mortes violentas recentemente, o estado ainda enfrenta altos índices de criminalidade e possui uma das polícias mais letais do Brasil. A decisão foi tomada após considerações de que o modelo proposto não seria eficaz para resolver os problemas de segurança locais.

Técnicos envolvidos na negociação já vinham trabalhando com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia na coleta e análise de dados de inteligência. No entanto, o governo baiano optou por não avançar para a fase de implementação do projeto. Entre as justificativas apresentadas, destacou-se a falta de convencimento sobre a eficácia da intervenção policial sugerida e a insuficiência de efetivo policial para sustentar uma operação intensiva. Além disso, argumentou-se que as facções criminosas não são o principal problema de segurança no estado.

Curiosamente, um levantamento da Secretaria Nacional de Políticas Penais revelou que a Bahia é o estado com o maior número de organizações criminosas mapeadas no sistema prisional, totalizando 21 grupos. Mesmo assim, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia não se manifestou diretamente sobre o projeto, mas afirmou que tem ampliado a cooperação com o Ministério da Justiça para combater o crime organizado e modernizar as forças de segurança nos últimos anos. O jornal Folha de São Paulo reportou que a decisão do governo baiano foi comunicada ao Ministério da Justiça no final do ano passado.

Com a recusa da Bahia, o governo Lula agora busca implementar o projeto no Rio Grande do Norte, outro estado administrado pelo PT, onde a proposta foi recebida de forma mais positiva. O objetivo do projeto é permitir que o estado retome o controle territorial das regiões dominadas por facções. A iniciativa conta com apoio técnico-acadêmico de instituições como a USP, que desenvolve ferramentas para identificar a presença de organizações criminosas e compreender o funcionamento dos mercados ilícitos. A implementação também prevê a criação de alternativas de renda para as comunidades locais, buscando estabilizar a criminalidade e melhorar a qualidade de vida dos moradores.