POLÍTICA


Antes de esconder dados de bets, Lula condenava o sigilo de 100 anos

Decisão do Ministério da Fazenda oculta informações de processos que tratam da autorização para funcionamento de casas de apostas no Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à imposição do sigilo de cem anos para esconder os documentos que autorizaram o funcionamento de casas de apostas no Brasil, medida que contradiz seu posicionamento anterior. Em setembro de 2022, o então candidato do PT utilizou as redes sociais para atacar a falta de transparência da gestão Bolsonaro.

Na ocasião, Lula publicou que faria um decreto logo no primeiro dia de governo para acabar com o sigilo centenário, argumentando que ‘o povo deve ver o que estão escondendo’. Na prática, os ministérios atuais utilizam o mesmo artigo da Lei de Acesso à Informação (LAI) para blindar o mercado de jogos.”

A decisão do Ministério da Fazenda tranca os arquivos que mostram os pareceres técnicos da Secretaria de Prêmios e Apostas, os problemas na papelada das empresas e a identidade dos donos das marcas que ganharam o aval do governo federal.

Com a medida, cidadãos não irão saber como se deu a tramitação dos processos. Também fica sob sigilo o meio de pagamento das outorgas de R$30 milhões e quem são os beneficiários finais de cada empresa de apostas.

Publicamente, o presidente assumiu um discurso contra as bets, e já afirmou ser favorável à proibição delas. “Se depender da vontade do presidente da República, eu vou dizer durante a campanha: eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a este País. Eu proibiria todas” afirmou.