PORTO SEGURO


Iphan embarga obra da família Vorcaro em área tombada em Arraial d’Ajuda

Sócios do empreendimento são pai e irmã do dono do recém-liquidado banco Master; procurados, eles não responderam à coluna do portal UOL

Foto: Reprodução/Iphan

 

A obra de um clube em Porto Seguro de propriedade de familiares do empresário Daniel Vorcaro foi embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Segundo o órgão, a construção à beira-mar estava sendo feita sem autorização pela empresa Milo Investimentos S.A, que tem como sócios Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã do dono do banco Master, recém-liquidado após fraudes na emissão de títulos de crédito falsos. As informações são de Carlos Madeiro, colunista do portal UOL.

A coluna procurou os mencionados na reportagem, mas não obteve resposta.

Previsto para ocupar uma área de 285 m², no distrito de Arraial d’Ajuda, o empreendimento foi classificado como irregular pelo Iphan, de acordo com a publicação do UOL. A construção está localizada entre a Estrada da Balsa e a praia de Araçaípe, em área considerada nobre e inserida em conjunto tombado, sem a autorização prévia exigida por lei.

De acordo com auto de infração e laudo técnico do Iphan, datado de 21 de janeiro, foram implantados módulos construtivos de grande porte, além de uma piscina, e houve supressão de vegetação de restinga na faixa de praia e de vegetação nativa de grande porte no interior do terreno. Segundo o órgão, as intervenções alteraram a ambiência e causaram impacto excessivo na paisagem local, resultando em danos ao conjunto tombado.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Cidade Alta de Porto Seguro foi tombado pelo Iphan em 1968 e reconhecido como monumento nacional em 1973. Em 2000, o órgão ampliou o tombamento para adequar a área protegida ao decreto federal, passando a abranger cerca de 800 imóveis, incluindo o distrito histórico de Arraial d’Ajuda.

Na segunda das duas vistorias realizadas, a equipe do Iphan identificou novos desmatamentos sem autorização em relação à inspeção anterior, além da construção irregular de uma piscina, já concluída, e de estruturas de madeira. O Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do órgão confirmou que o terreno sofreu desmatamento de vegetação nativa densa no interior e de restinga rasteira e arbustiva na área de praia.