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Suprema Corte da Rússia barra partido Iabloko da eleição parlamentar

Única sigla legal contrária à guerra na Ucrânia sofreu acusação de receber recursos do exterior e recorrerá da decisão; essa será a primeira eleição legislativa federal desde o início da guerra na Ucrânia

Foto: Reprodução / Freepik

A Suprema Corte da Rússia proibiu, nesta segunda-feira (10), o partido liberal Iabloko de disputar a eleição parlamentar de 20 de setembro. O banimento ocorreu após uma ação protocolada pela sigla nacionalista Rodina, que acusou os candidatos do Iabloko de atuarem como traidores financiados pelo exterior.

O chefe do partido, Nikolai Rybakov, negou o recebimento de recursos estrangeiros e declarou que a legenda manterá o apoio à paz com a Ucrânia, país invadido por Vladimir Putin em fevereiro de 2022. Além disso, ele informou em nota a decisão de recorrer no prazo legal de cinco dias.

O partido liberal Iabloko era o último legal a ser declaradamente oposição à guerra. Outras siglas de oposição, como o Partido Comunista, apoiam a ação militar e votam habitualmente com o governo, liderado na Duma (Câmara baixa do Parlamento) pela sigla Rússia Unida.

A ação jurídica contra o Iabloko ocorreu após a Comissão Eleitoral Central aprovar 404 candidatos da sigla para disputar as 450 cadeiras da Duma.

De acordo com dados do instituto independente Centro Levada, o apoio à guerra está em seu nível mais baixo (66%). Contudo, a representação parlamentar do Rússia Unida soma 315 deputados. O Iabloko obteve 45 representantes no pleito de 1995, mas perdeu espaço e não elege deputados federais desde 2007.

A decisão judicial motivou um protesto de mais de 500 jovens em frente à sede da Suprema Corte, prédio com capacidade de plenário limitada a 150 pessoas. Os manifestantes seguravam maçãs (símbolo da agremiação) e gritavam “Vergonha”. A polícia dispersou o grupo sem o registro de violência. Uma testemunha citada pelo site RusMedia relatou que os policiais ameaçaram os jovens com o alistamento militar forçado para o conflito na Ucrânia.

O movimento consolida a restrição progressiva da política russa sob a liderança de Vladimir Putin, no poder desde 1999 e com taxa de aprovação de 74%, de acordo com o Centro Levada. Desde 2011, a legislação russa endureceu os critérios para o registro de partidos e candidaturas independentes.

Esse processo teve ápice em 2017 com os protestos anticorrupção liderados por Alexei Navalny, ativista que criou um sistema descentralizado de apoio a candidatos locais contra nomes chancelados pelo governo. Navalny sofreu envenenamento em 2020 (ação atribuída por ele ao FSB e a Putin, que negam a acusação), acabou preso ao retornar do tratamento médico no exterior, recebeu condenação a 30 anos de prisão e morreu em circunstâncias não esclarecidas em uma penitenciária no Ártico, em 2024.

Antes do conflito, o endurecimento de leis já criminalizava entidades com contatos no exterior. Com o início da guerra, críticas às Forças Armadas passaram a prever penas de até 15 anos de prisão, com alcance sobre ONGs, veículos de imprensa e agremiações políticas.