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Keiko Fujimori é eleita nova presidente do Peru; Adversário alega fraude

Fujimori deve assumir cargo em 28 de julho para mandato de cinco anos

Foto: Reprodução/ Instagram

 

A candidata de direita à presidência do Peru Keiko Fujimori é a nova presidente eleita do país. A vitória foi ratificada pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo das eleições no país, nesta sexta-feira (3), em uma cerimônia de proclamação.

Fujimori teve 9.223.396 de votos, ou 50,135%, contra 9.173.755 de votos de seu concorrente, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, ou 49,865% dos votos.

A votação ocorreu no dia 7 de junho. A apuração dos votos levou semanas e mostrou um cenário de forte polarização no país, com apenas 49.641 votos separando os dois candidatos.

Roberto Sánchez, adversário de Keiko no segundo turno, indicou que não aceitaria os resultados. Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou seus apoiadores para protestos. O esquerdista disse ainda que pedirá recontagem e recorreria ao CIDH para contestar o resultado.

O candidato de esquerda também apresentou um novo recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país. Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.

No último dia 24, quando alcançou uma vantagem irreversível de votos na apuração, Keiko fez um discurso como vencedora de fato do pleito, com a promessa de unir o país.

“Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, disse Fujimori em frente a repórteres em Lima.

Fujimori deve assumir o país em um momento de aumento da criminalidade e grandes desafios sociais. Ela também deverá ter dificuldade em negociar com o Legislativo, profundamente dividido entre esquerda e direita.

Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, substituirá o atual presidente, José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu o poder de forma interina há apenas quatro meses.

Zelada substituiu o ex-presidente José Jeri, que também ficou no cargo por apenas quatro meses e foi destituído pelo Congresso após vir à tona que ele participou de reuniões não divulgadas com empresários chineses. Sua antecessora, Dina Boluarte, também foi destituída por escândalos de corrupção.

As crises foram só as últimas envolvendo presidentes do Peru, que vive na última década um dos piores períodos de instabilidade política de sua história. Só nos últimos oito anos, o país andino teve oito presidentes.