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Jeffrey Epstein comprou apartamento em bairro nobre de São Paulo em 2003

Imóvel na Vila Olímpia foi adquirido em 2003 por R$ 245 mil e vendido dois anos depois por valor menor

Foto: Departamento de Justiça EUA

 

O criminoso sexual Jeffrey Epstein comprou, em 2003, um apartamento em um condomínio de alto padrão na Vila Olímpia, um dos bairros mais valorizados da zona sul de São Paulo.

Segundo registro obtido pela BBC News Brasil, o imóvel foi escriturado em 5 de maio de 2003. O apartamento, com 93 metros quadrados de área privativa, tem planta original com dois quartos, dois banheiros e duas vagas de garagem. No documento, Epstein aparece registrado como “consultor”.

De acordo com a documentação, ele adquiriu o imóvel de uma médica brasileira pelo valor de R$ 245 mil, em cifras da época. Extratos bancários divulgados pelo governo norte-americano indicam duas transferências feitas para a conta da vendedora, que somaram US$ 77,4 mil, o equivalente a pouco mais de R$ 255 mil na cotação daquele período.

Dois anos depois, em 1º de agosto de 2005, o apartamento foi vendido à modelo e empresária do ramo da moda Ana Maria Gomes Macedo por R$ 179,3 mil, valor inferior ao pago por Epstein na compra. Segundo o registro cartorial obtido pela BBC News Brasil, o imóvel permanece em nome dela.

Comparadores de preços e sites especializados em pesquisa imobiliária apontam que, atualmente, unidades no mesmo prédio custam a partir de R$ 1,6 milhão.

A existência de um CPF vinculado a Epstein no Brasil foi revelada inicialmente em reportagem do ICL e confirmada pela BBC News Brasil. O ICL também noticiou que a aquisição do imóvel teria sido intermediada por um escritório de advocacia brasileiro.

Na última semana, a BBC News Brasil revelou ainda que Epstein tentou se aproximar de empresários brasileiros e autorizou investimentos em ativos ligados à economia do país. A BBC também divulgou que ele manteve troca de e-mails com modelos brasileiras entre 2006 e 2011, conforme documentos tornados públicos pelo governo dos Estados Unidos.

O Ministério Público Federal instaurou procedimento para verificar se havia uma rede de aliciamento de mulheres no Brasil ligada a Epstein.