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China condena ação dos EUA na Venezuela e afirma que prisão de Maduro fere direito internacional 

Pequim classifica operação norte-americana como uso ilegal da força e alerta para riscos à estabilidade da América Latina 

Foto: Reprodução/expresso

O governo da China manifestou neste sábado (3) forte condenação à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em nota oficial divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, Pequim afirmou estar “profundamente chocada” e acusou Washington de promover um “uso flagrante da força contra um Estado soberano”. 

Segundo a chancelaria chinesa, a ação norte-americana representa uma violação grave do direito internacional e da soberania venezuelana, além de configurar uma ameaça direta à paz e à segurança da América Latina e do Caribe. 

“A China condena veementemente os atos hegemônicos dos Estados Unidos, que desrespeitam os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas”, declarou um porta-voz do ministério em publicação nas redes sociais. O comunicado também exige que Washington interrompa imediatamente ações que atentem contra a soberania e a segurança de outros países. 

Destino de Maduro 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados e retirados do território venezuelano. De acordo com Trump, o casal está a bordo do navio USS Iwo Jima, em deslocamento para Nova York, após ter sido transportado por helicópteros militares. 

O mandatário norte-americano afirmou que a operação foi precedida por tentativas de negociação e que o governo dos EUA ainda avalia os próximos passos em relação à administração da Venezuela. “Não podemos permitir que outra pessoa assuma o poder e simplesmente continue o legado deixado. Nosso objetivo é promover a liberdade para o povo venezuelano”, declarou. 

Trump disse ainda ter acompanhado a ação em tempo real a partir de Mar-a-Lago, ao lado de generais do Exército, e elogiou a rapidez e a complexidade da ofensiva. Questionado sobre eventuais alternativas oferecidas a Maduro antes da captura, foi categórico: “Eu disse que ele precisava desistir. Tinha de se render”. 

Repercussão diplomática 

A reação chinesa ganha relevância diplomática por ocorrer pouco depois de Maduro ter recebido, na sexta-feira (2), no Palácio de Miraflores, o enviado especial de Pequim, Qiu Xiaoqi. O encontro contou com a presença da vice-presidente Delcy Rodríguez e do chanceler Yván Gil e teve como objetivo revisar mais de 600 acordos bilaterais firmados entre os dois países. 

Atualmente, a China é a principal compradora de petróleo bruto da Venezuela, respondendo por cerca de 4% das importações chinesas. Pequim tem sido uma crítica constante das sanções impostas pelos Estados Unidos ao governo chavista. 

No fim de dezembro, o governo chinês já havia classificado como “grave violação do direito internacional” a apreensão, por parte dos EUA, de navios estrangeiros envolvidos no comércio de petróleo venezuelano.